terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Para que se preocupar com pão, se há o circo da mídia golpista? A Globo, o deus Moro e o encobrimento da crise



estafeta
Nunca vi, ao longo da vida, tamanha balbúrdia institucional e tanta morbidez espalhada pela mídia sobre a sociedade.
Quanto mais se aprofunda a crise econômica, o imenso acordo das elites e da direita em torno do governo Temer mais vai se transformando em uma guerra que já nem esconde as garras.
A começar pelo conflito entre os maiores responsáveis pela deterioração da institucionalidade no país: a trinca Polícia Federal-MP-Judiciário versus Legislativo no triste episódio da votação das falecidas “Dez Medidas contra a Corrupção” e da  lei de abuso de autoridade de  policiais, promotores e juízes.
Jamais na história brasileira viu-se juízes em comício, promotores ameaçando largar casos sob sua responsabilidade  e policiais conspirando abertamente contra os legisladores.  Tudo desaguando nas marchas que eles e a mídia convocaram e insuflaram no domingo.
Depois dela, os atores mudaram. A decisão inopinada de Marco Aurélio Mello – para que não decidir, como no caso de Eduardo Cunha, diretamente no plenário? – e a reação da Mesa do Senado – que atiraram o país num impasse inédito.
Qualquer que seja a decisão tomada pelo plenário do Supremo – e não referendar a decisão de Marco Aurélio equivalerá a jogar o STF na fogueira moralista que incendeia a mídia.
Fogueira moralista? Basta que se veja como as prisões passaram a justificarem a si mesmas, não precisam mais ter legalidade ou fundamentação convincente.
Que guris de 18 anos queiram resolver as coisas assim é imaturidade natural e até saudável. Quando este tipo de comportamento chega a quem tem responsabilidades de Estado, sobre a liberdade e a dignidade de terceiros é mais que preocupante: é apavorante.
Mas  se isso está acontecendo, há razões, não apenas loucura.
E a razão essencial é que o país enveredou por uma crise econômica para a qual não há saída visível e o grande instrumento de dominação da população – o império da mídia – açula e estimula agentes públicos totalmente desconectados de responsabilidades com a população, mas apenas com o poder para fornece diversionismo, inimigos, culpados pela “bandalheira” que protejam o grande processo de saque que se executa sobre o país.
Tudo isso num país presidido por um fraco, que só é capaz de bajular, intrigar, conspirar e esconder sob seus maneirismo o imenso vazio que é.
Pelo poder, não hesita em propor a liquidação dos serviços públicos e nem mesmo em praticar covardias como condenar os brasileiros ao “trabalho eterno”, com uma aposentadoria de meio século e abertamente propor que pensionistas, deficientes e desamparados percam até a garantia do salário mínimo.
Fenando Brito, no Tijolaço

Quem com golpe golpeia com golpe será golpeado, por Esmael Morais



pmdb_golpeA queda de Renan Calheiros por uma liminar consolidou aquela máxima segunda a qual quem com golpe golpeia com golpe será golpeado.


Primeiro derrubaram Dilma Rousseff por meio de um golpe de Estado.
Depois foi a vez de Eduardo Cunha ser golpeado pelos próprios golpistas, o que pode ser considerado um golpe no golpe – ainda em curso.
Renan Calheiros foi o terceiro a tomar um golpe na cabeça.
O próximo na fila é o ilegítimo Michel Temer, que não cansa de perguntar-se com sua indefectível mesóclise: também golpear-me-ão?
É o tal efeito bumerangue.
Portanto, eles podem tirar um ensinamento pedagógico e quase bíblico: quem com golpe golpeia com golpe será golpeado.

Fonte: Blog do Esmael Morais

O Congresso e o Judiciário, por Sérgio Sérvulo da Cunha



"Tome um tribunal, como por exemplo, o STF, que tem 11ministros, um dos quais, seu presidente, é normalmente dispensado de relatar processos. Se aumentarmos seu número para 21, ficará reduzido pela metade o volume de serviço de cada ministro. Mas eles não querem ouvir falar nisso. Foram, na Constituinte, contra a criação do Superior Tribunal de Justiça, que roubou parte de sua competência; promulgada a Constituição, não reformaram seu regimento, que – salvo as emendas que recebeu – é o mesmo do tempo da ditadura; não obstante o volume do seu serviço, gostam de se exibir com longos e professorais votos, consumindo o tempo de uma sessão com o julgamento de somente dois ou três processos, excetuados aqueles que, nos gabinetes, são eliminados, por seus auxiliares, com a aposição de carimbos;  gostam de se pavonear em viagens e conferências, pelo país e pelo exterior; e vão, correndinho, posar como presidente do TSE e do CNJ."



O Congresso e o Judiciário
por Sérgio Sérvulo da Cunha - Jornal GGN
O judiciário brasileiro não é sério.
Não é sério o servidor público que se queixa do volume de serviço, não precisa assinar ponto, e quer – além de repouso semanal, feriados, feriadões e recessos – mais sessenta dias de férias por ano; que, além desse, tem outro emprego, como professor; que é mais visto em cursos remunerados no exterior, em shoppings, congressos e convescotes do que na sala de audiências; que  prega contra a corrupção, mas recebe acima do teto legal; que não profere sentenças; que preside uma audiência sem ter, antes, sequer aberto o respectivo processo; que delega funções privativas de seu cargo a estagiários e auxiliares descredenciados; que por pequenos pretextos – ou sem pretexto nenhum – costuma adiar audiências, sacrificando as partes, advogados e testemunhas; que deseja ficar acima da lei, sem a possibilidade de responsabilização por abuso de poder.
O grande volume de serviço transformou-se, de muito, num álibi, justificador de grandes panaceias, tais como súmulas vinculantes e repercussões gerais, que, apresentadas como medidas salvadoras, só fazem restringir os direitos das partes e dilatar o poder dos magistrados. Por isso, não é confiável nenhuma estatística proveniente do judiciário, porque seus números são inflados. Sem dúvida, é enorme o volume dos litígios. Mas se não são solucionados, se ficam engavetados ou represados, só fazem aumentar. Passam aí a funcionar contra a parte, como uma hipoteca, que a qualquer momento pode ser executada.
Tome um tribunal, como por exemplo, o STF, que tem 11ministros, um dos quais, seu presidente, é normalmente dispensado de relatar processos. Se aumentarmos seu número para 21, ficará reduzido pela metade o volume de serviço de cada ministro. Mas eles não querem ouvir falar nisso. Foram, na Constituinte, contra a criação do Superior Tribunal de Justiça, que roubou parte de sua competência; promulgada a Constituição, não reformaram seu regimento, que – salvo as emendas que recebeu – é o mesmo do tempo da ditadura; não obstante o volume do seu serviço, gostam de se exibir com longos e professorais votos, consumindo o tempo de uma sessão com o julgamento de somente dois ou três processos, excetuados aqueles que, nos gabinetes, são eliminados, por seus auxiliares, com a aposição de carimbos;  gostam de se pavonear em viagens e conferências, pelo país e pelo exterior; e vão, correndinho, posar como presidente do TSE e do CNJ.
Se você quiser saber como funciona a cabeça corporativa de um juiz, basta examinar recentes declarações da ministra Carmen Lúcia, que preside o STF. Opondo-se à votação, realizada no Congresso, de texto sobre a prática de abuso de autoridade, ela troca visivelmente os conceitos, chamando de “criminalização” o que é “responsabilização”, de “ataque” o que é “crítica”, e de “justiça” o que é “judiciário”. Ora, o judiciário tem tanto a ver com a justiça quanto um hospital tem a ver com a saúde. Se responsabilidade significa criminalização, eu também quero ser descriminalizado. E, atenção, não quero ataques por parte de ninguém.  
Também sofismas são os do Ministério Público, ao chamar de “dez medidas contra a corrupção” um pacote de providências que aumentam seu já dilatado  poder.
Independentemente de sua motivação, é dever dos parlamentares se oporem a arbitrariedades que diminuem as garantias cidadãs, e votar medidas contra o abuso de autoridade.
No próximo editorial falarei desse pacote, dessa armadilha contra a qual todo brasileiro deve estar atento. Um bom princípio, a ser seguido sempre é esse: todo poder, concedido a uma autoridade, deve ser acompanhado da correspondente garantia, concedida ao cidadão.
E não me venham dizer que eu estou generalizando. Falo do judiciário como instituição; como toda instituição, o judiciário tem bons e maus profissionais. Mas infelizmente os últimos é que lhe dão o tom.
Sérgio Sérvulo da Cunha - é advogado, autor de várias obras jurídicas. Foi procurador do Estado de São Paulo e chefe de gabinete do Ministério da Justiça.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Leandro Fortes: Moro planeja fugir para os Estados Unidos

"Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.
Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos."
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por Leandro Fortes*
A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.
O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.
Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.
Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.
Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.
Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?
Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.
*Leandro Fortes é jornalista e escritor.

A Previdência dos Golpistas e do Vampiro-Judas: 50 anos de contribuição para você, talvez, se aposentar

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Tijolaço.- Se, de fato, o Governo apresentar hoje a proposta de reforma previdenciária como os jornais anunciam, teremos um barril de pólvora jogado na fogueira.
Além de tudo o que se conhecia, surgiu o “bode”  de fedor insuportável.
O que exige – transcrevo a Folha –  que “50 ANOS de contribuição serão necessários para obter o
benefício integral com as novas regras propostas”.
Isso significa, na prática, quase abolir a aposentadoria, considerando a duração média da vida de um brasileiro.
Mesmo começando a trabalhar aos 18 anos e se – o desemprego está aí – acumular dois anos de não-contribuição em meio século de vida laboral a idade mínima para o cidadão aposentar-se sem perdas (ao menos no momento da aposentadoria) será de 70 anos.
É o que valeria para todos os que hoje têm menos de 50 anos.
O objetivo, diz a Folha, é “gerar economia de R$ 678 bi” em dez anos. Menos da metade do que o país pagou de juros até o dia de hoje, apenas neste 2016.
É neste ralo que irá a tal economia, escancaradamente tirada dos trabalhadores, dos idosos, dos deficientes e desamparados (com a desvinculação do Benefício de Prestação Continuada do salário-mínimo).
A desfaçatez de um cidadão que se aposentou aos 55 anos, com vencimentos integrais, em propor algo assim, se não despertar a indignação nacional, não sei o que a faria aprovar.
Se o Congresso atrever-se a aprovar algo assim, não esperem que a população não reaja.
Antes mesmo que o povo saia às ruas, serão eles quem não poderão sair a elas.
Fernando Brito

Pela primeira vez no Brasil, um dos três poderes vai às ruas contra os outros dois – e - apesar dos esforços e do que diz a Globo - fracassa. O que está em jogo?


"Ao levar a luta para as ruas, o judiciário brasileiro dá a sua luta para aumentar seu poder no estado brasileiro um caráter dramático. Na imaginação dos ingênuos da Lava Jato – os procuradores mais jovens que dão às caras na mídia (por trás dos quais estão as velhas raposas que nunca aparecem) –, se trata de uma missão sagrada: a livrar o país da corrupção e, de quebra, garantir carreiras de sucesso e altos salários para cada um deles.

"Ao pôr nas ruas as palavras de ordem contra o Legislativo e o Executivo, o Judiciário trouxe uma “forma revolucionária” – isto é, medidas extrajudiciais em colisão com as práticas institucionais. Esse tipo de ‘revolução’ foi exatamente o caminho que a Alemanha seguiu para chegar a 1933: a mobilização nas ruas em sintonia com os tribunais e as forças policiais (a PM, por exemplo, está se recusando a dar os números reais de manifestantes hoje, mesmo onde, como em Belo Horizonte, era possível conta-los com os dedos)."

Artigo de Bajonas Teixeira, colunista de o Cafezinho

Essa é a primeira vez na história do Brasil em que um dos três poderes, o Judiciário (unido à corporação do Ministério Público), sai às ruas confrontando diretamente os outros dois (Legislativo e Executivo). E tudo de forma tão evidente que, embora a classe média tenha sido a massa de manobra nas manifestações, o confronto de poderes não se deixa ocultar.
E, ao que tudo indica, o fracasso foi retumbante. Mesmo com os números inflados divulgados pelos organizadores. Veja-se o exemplo de Brasília.  Esperava 125 mil, apareceram apenas cinco mil (número dado pelos próprios organizadores). Ou seja, menos um vigésimo do esperado ou menos de 5% do que era previsto. Em 13 de março, na maior das manifestações contra Dilma, com forte indução por parte de Moro e da Lava Jato, o número chegou a 100 mil. Tivemos hoje, portanto, 5% do que vimos em 13 de março.
Em Belo Horizonte, apareceram 8 mil pessoas (em 13 de março, foram 100 mil). Em Salvador, 1.200 agora (em 13 de março, 50 mil). Recife divulgou a participação de 5 mil manifestantes (em 13 de março, foram 120 mil). A Globo está sendo bastante resistente em  dar os ‘números reais’. No caso do Rio, disse há pouco que a PM ainda não tinha divulgado os números.
O fracasso das manifestações, é certo, aumentará o empenho da Globo em impor uma imagem vitoriosa da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro. Sua situação vai se tornar, contudo, bastante ambígua porque, sem deixar de apoiar Temer, vai dar firme apoio aos que pediram nas ruas o “Fora Temer”. A mesma coisa para a Folha de São Paulo.
As duas empresas, contudo, já preveem (no caso da Folha, até trabalha por) um fim inglório para Temer. Nesse caso, o protesto de hoje sinaliza o prelúdio da substituição do grupelho do PMDB pelo (também implicado na Lava Jato) grupelho do PSDB.
Ao levar a luta para as ruas, o judiciário brasileiro dá a sua luta para aumentar seu poder no estado brasileiro um caráter dramático. Na imaginação dos ingênuos da Lava Jato – os procuradores mais jovens que dão às caras na mídia (por trás dos quais estão as velhas raposas que nunca aparecem) –, se trata de uma missão sagrada: a livrar o país da corrupção e, de quebra, garantir carreiras de sucesso e altos salários para cada um deles.
O caráter dramático está em que, com as manifestações de Deltan Dellagnol, por exemplo, no Twitter pedindo vigilância e fazendo denúncias de manipulações do projeto das Dez Medidas, o assunto saiu dos canais institucionais. Agora não é a rotina das decisões colegiadas que está movendo as relações internas ao estado. Não são os pactos dissimulados, as pressões ou manipulações institucionais habituais.
Ao pôr nas ruas as palavras de ordem contra o Legislativo e o Executivo, o Judiciário trouxe uma “forma revolucionária” – isto é, medidas extrajudiciais em colisão com as práticas institucionais. Esse tipo de ‘revolução’ foi exatamente o caminho que a Alemanha seguiu para chegar a 1933: a mobilização nas ruas em sintonia com os tribunais e as forças policiais (a PM, por exemplo, está se recusando a dar os números reais de manifestantes hoje, mesmo onde, como em Belo Horizonte, era possível conta-los com os dedos).
Enquanto o primeiro capítulo da Lava Jato, de forma muito mais indireta, insuflou a classe média contra Dilma e o PT, esse segundo capítulo conclama diretamente as ruas contra os partidos que querem o fim da Lava Jato. São justamente os aliados daquela primeira fase, o PMDB em primeiro lugar, que hoje são marcados como os inimigos da Justiça. Os mesmos políticos corruptos que os procuradores agora acusam, foram seus diletos aliados na derrubada do governo legítimo de Dilma Rousseff.
A situação assume certo verniz dramático também porque, até na simples aparência, os canais institucionais foram rompidos. E a tensão que se inseriu nessa ruptura, através do fracasso nas ruas nesse domingo, é um novo ingrediente de ódio numa atmosfera já bastante carregada.
O que antes era controlado pela lógica das instituições foi sobrepujado pela lógica canibal de um estado em decomposição. Cada segmento, cada corporação, e cada um dos poderes – com exceção da presidência, o Executivo, que conspira deitado num leito de CTI – briga entre si para alcançar maiores fatias de poder, ou para não perder o que alcançou.
Mas, o que é mais notável, é que a lógica do golpe – a de um fortalecimento do Judiciário que quer acumular poderes de exceção –, criou o terreno para uma luta intestina entre os três poderes: o Judiciário, por um lado, e o Legislativo, atrás do qual se esconde, moribundo, o Executivo.
Os dois fatos recentes – a tentativa de anistia ao caixa dois e a votação das Dez medidas, transformada em lei contra o abuso de autoridade –, tem como miolo aquele confronto, como ninguém ignora. Mas isso significa que uma lógica do confronto foi acionada e, sem mediadores, tende a correr solta. Das ruas para a violência, muitas vezes é um passo.
Quem vem permitindo essa radicalização da parte do Judiciário e do MPF? Aqueles que de fato dão as cartas no Judiciário e na PGR, ou seja, os grupos encastelados nas posições superiores. Ninguém se engane crendo que Dellagnol ou Sérgio Moro são os mandachuvas que dão as cartas e decidem. De modo algum. Num estado baseado no favor e no peso patriarcal, esses ‘jovens’ estão sob a tutela de outros mais velhos.
Assim como os ‘Cara Pintadas’ saíram dissimulados (exatamente pintando as faces), nos protestos contra Collor, representando não o seu país mas os seus pais, que discretamente ficaram em casa, mas que os estimularam em obediência ao chamado da Globo, hoje a classe média ocupa as ruas em nome de terceiros. A mídia e os medalhões do judiciário e do ministério público estão por trás da cena. Até onde vai o show, depende de até onde eles permitam que o show vá.
O poder do judiciário quer se robustecer cada vez mais, garantir suas prerrogativas e privilégios, avançar no botim dos recursos do estado através dos aumentos salariais e dos benefícios suplementares de todo tipo. Questões como a do aumento do STF, ainda em suspenso, são decisivas para alimentar a fervura, já que é interesse de todos os juízes do país.
Já os políticos não querem servir de troféus para os caçadores de cabeça das corporações penais, que antes faziam os processos dormirem nas gavetas por décadas e agora, depois do aplauso popular (leia-se: classe média descontente com o PT e suas políticas democráticas) descobriram o apelo das ruas e da popularidade barata.
Se o Legislativo tiver clareza suficiente sobre o fracasso de hoje, provavelmente liquidará o assunto na próxima terça-feira.
Visite e curta a MÁQUINA CRÍTICA.

Curitiba em Transe, o devastador artigo de um promotor de Justiça do Paraná sobre a Lava Jato



Por Fuad Faraj, promotor de Justiça do Paraná, publicado no Justificando
coletiva-de-imprensa-com-procuradores-da-forca-tarefa-lava-jato-webOs pretensos boys magia da Car Wash, na República de Curitiba, foram tragados por alguma espécie de histerismo paranóico diante de uma decisão tomada pela Câmara dos Deputados, em Brasília, que soterrou as desmedidas criadas e capitaneadas pelos magnânimos Redentoristas da Procuradoria da República. Travestido de projeto de iniciativa popular, as desmedidas apresentadas foram gestadas por longos meses no ventre de todos os Ministérios Públicos do Brasil, com utilização de expressivos recursos públicos.
Não me surpreenderia se tivéssemos a notícia de que palestras e assinaturas ao projeto fossem critérios de avaliação do estatágio probatório dos que recém ingressaram na carrreira.  Não se aventa, portanto, iniciativa popular nas medidas que propalavam necessárias para o combate eficiente à corrupção. Tudo foi um sortilégio. A iniciativa do projeto de lei é de um ente estatal chamado Ministério Público, o qual usou toda a sua estrutura e poder de fogo para buscar assinaturas de cidadãos induzidos a erro pelo título do projeto. O título do projeto de lei vendia combate à corrupção, mas o conteúdo dava ao cidadão também opressão e violação de direitos fundamentais.
De cunho autoritário, algumas delas buscavam solapar em suas bases o estado democrático de direito para que se erigisse, em seu lugar, um estado policialesco gerido por integrantes de um ministério cada vezes menos público e cada vez mais corporativo, unido na sanha persecutória inspirada no segregacionismo, na parcialidade seletiva e no sectarismo social, ideológico e político.
O Projeto aprovado, e talvez deva ser essa a razão do ódio profundo que suas Excelências devotam ao parlamento integrado por deputados eleitos pelo voto popular, inclui responsabilização criminal para promotores e juízes, entre outros atos, por atos ilícitos por eles praticados, antes “punidos” apenas na seara disciplinar. Com arroubos próprios de primas-donas descompensadas, sem qualquer razoabilidade, “ameaçaram” renunciar caso o projeto legislativo seja sancionado pelo Presidente. Um motim praticado por altos servidores públicos, integrantes de uma Carreira de Estado, que estão no topo da pirâmide da remuneração estatal.  Este disparate dos Procuradores da República, junto com todo conjunto da obra, é algo inominável.
Queriam acaso poder violar, sem punição alguma, a Constituição e todas as leis do país? Acaso fazem parte de uma classe de superdotados infalíveis que deve ser colocada acima de todos os demais cidadãos para poder prejudicar com seus atos, impunemente, o cidadão, a nacão e o país?  A bem pouco tempo, a lembrança me é vaga, os ilustrados integrantes da Car Wash diziam que a lei deve valer pra todos. Para todos, menos para eles.
A julgar pelo que falaram, vê-se que são muito ciosos de si e os únicos que podem fazer alguma coisa para salvar o Brasil. Passam a impressão, por este discurso mendaz e bravateiro, que a Procuradoria da República são eles e o resto dos seus pares constitui o rebotalho sem cérebro e sem estampa daquela instituição. Os demais membros do Ministério Público Federal não devem valer nem mesmo o auxílio-moradia que recebem, quanto mais o subsídio integral. É sério isso, preclaros jurisconsultos?
Vê-se que os bem dotados juristas desta novel república nos ensinam sempre uma nuance jurídica que escapa aos simples mortais como nós.  Assim como, para dar um único exemplo, aprendemos com eles regras nunca antes vistas no cenário jurídico nacional ou mundial, do tipo que estabelecem conduções coercitivas sem lastro em Lei e na Constituição, aprendemos agora que a um membro do Ministério Público se concede a prerrogativa de dar às costas ao seu trabalho e ir voltar ao dolce far niente de seu gabinete ou o que quer que possa ser entendido como “voltar às nossas atividades”.
Pelo nível do discurso, deve-se entender que são uns incendiários da República que propalam proteger. Seu discurso toca as almas daqueles embebidos de ódio e rancor, em busca da destruição de um inimigo, qualquer inimigo, que possa dar vazão, como num transe, aos seus sentimentos mais violentos e lhes sirva de catarse.
Nos passam a impressão, falsa espera-se, que não tiveram outro interesse além de levantar, através do uso absoluto dos meios de comunicação, uma massa de cidadãos com os quais se alinharam, desde a primeira hora, na ação e na ideologia, no ódio e no rancor, para concretizar uma ruptura institucional de consequências nefastas para o nosso Brasil.  Neste domingo, 4 de dezembro, todo planeta saberá, mais uma vez, que tipo de manifestações de massa eles tiveram a capacidade de invocar, provocar e estimular sem se importar com quaisquer consequências.
É sintomático perceber, e também é um traço revelador do que se trata, que olhando para o passado vemos uma sincronia temporal mágica entre as ações destes paladinos da justiça, do Juiz Supremo, dos vazamentos, das grandes manchetes, dos eventos políticos e das manifestações de rua. Nós, comuns mortais, sequer conseguimos planejar com tal acurácia e eficiência um almoço em família num domingo. Estes caras respeitáveis, notáveis juristas e comportados piás de prédio, fizeram uma “revolução”, alinhando-se, desavisadamente espera-se, ao que tinha de mais retrógrado no esquema de poder que submete este país debaixo de uma canga desde 1500.  A história não os absolverá.
Graças a esses gênios, pioneiros da jurdisdição-espetáculo, teremos, ano que vem, eleição indireta para eleger o Presidente da República pela primeira vez desde o fim do regime instaurado pela Redentora Revolução de 64.  Graças a esses notáveis de vanguarda, temos uma ÚNICA operação policial comandando os destinos de um país inteiro, gestada à forma de um seriado de televisão para durar anos, indo para a 4ª temporada, enquanto o nosso país definha econômica, social e politicamente.  Cansados da “brincadeira”, esses luminares agora ameaçam “renunciar”.
Transformaram nossa terra numa Bananalândia.  Nosso País, com o recrudescimento das divisões internas que vão se tornando a cada dia mais inconciliáveis está deixando de ser uma Nação. Aos poucos, também, o Brasil vai deixando de ser uma País soberano.
Não, a história nunca os absolverá. ( Do Justificando, Curitiba em Transe)
Fuad Furaj é Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná.

Suspeita confirmada: Procuradoria Geral da República ajuda ação nos EUA contra a Petrobras. Artigo da Carta Campinas


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O que era uma suspeita de que a procuradores brasileiros estavam colaborando com a Justiça dos Estados Unidos contra os interesses da Petrobras e do Estado brasileiro, agora se confirmou.
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, confirmou que fechou, com auxílio da Procuradoria-Geral da República, um acordo de colaboração com órgãos norte-americanos de Justiça, onde existem ações contra a Petrobras e que pedem indenizações milionárias.
Paulo Roberto Costa teria tido duas reuniões sobre este tema com autoridades dos Estados Unidos e do Brasil. Essa confirmação vai de encontro com as suspeitas apontadas pela defesa do ex-presidente Lula de que a força-tarefa da Operação Lava Jato colabore em caráter não formalizado com o governo dos Estados Unidos.
As ações contra a empresa estatal brasileira são movidas por investidores norte-americanos, muitos conhecidos como abutres. Logo após as denúncias de corrupção na empresa, eles entraram com ações para arrancar dinheiro da empresa brasileira alegando prejuízo bilionário pela corrupção. Procuradores, segundo Roberto Costa, estão ajudando nas ações.
Veja no vídeo abaixo o áudio a partir dos 22 minutos. Paulo Roberto Costa nega informações e os advogados do ex-presidente Lula reclamam da negação e do sigilo da testemunha, dizendo que não há previsão legal no Brasil. E segue-se o seguinte diálogo:
Sérgio Moro: Se ele faz um acordo nos EUA, imagino que lá é coberto pela lei americana.
Advogados: O problema é que nós estamos imaginando.
Em pronunciamento no plenário da Câmara dos Deputados , o deputado Paulo Pimenta denunciou a relação do juiz Sérgio Moro e da Procuradoria Geral da República (PGR) com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O parlamentar destacou que dois delatores da Operação afirmaram em seus depoimentos que estão mantendo diálogos com os órgãos de justiça americanos através de contatos realizados pela PGR.
“A PGR oferece réus da Operação Lava Jato para colaborar com os EUA em ação contra a Petrobrás, isso é um crime de lesa-pátria”, afirmou Pimenta. O deputado ainda falou que vai recorrer a todas as comissões da Câmara para convocar todos os envolvidos nessa relação com os Estados Unidos para que eles prestem esclarecimentos. O parlamentar ainda afirmou que essa relação se dá para enfraquecer a maior empresa nacional e facilitar para que o governo golpista entregue a Petrobrás para as grandes petroleiras americanas.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O "Somos Milhões de Moro" - antes eram "Milhões de Cunha", "Milhões de Barbosas",porque a Globo mandou....




O fiasco da manifestação dos midiotas em defesa da Lava Jato em Brasília. Por Carlos Fernandes




A manifestação em defesa da Lava Jato da trupe de Moro e contra as mudanças no pacote anticorrupção realizada na Esplanada dos Ministérios na manhã deste domingo (4), pode ser resumida em apenas duas palavras: monumental fiasco.


Postado em 04 Dec 2016
protesto - brasília

A manifestação em defesa da Lava Jato e contra as mudanças no pacote anticorrupção realizada na Esplanada dos Ministérios na manhã deste domingo (4), pode ser resumida em apenas duas palavras: monumental fiasco.
Segundo a PM – sempre condescendente com esse tipo de movimento – havia cerca de 5 mil pessoas. Para os organizadores – sempre descolados da realidade – seriam em torno de 15 mil.  Um devaneio como tudo que lhes diz respeito.
De qualquer forma, por mais inflado que possa ter sido, o número de participantes não chegou a 10% dos verificados nas manifestações anteriores, quando Dilma e o PT eram os alvos de seus impropérios.
Mais do que um fato estatístico, o esvaziamento das manifestações “contra a corrupção” e pela “moralização da política brasileira” desnuda o cerne dos interesses envolvidos a depender de quem está no alvo dos “patriotas”.
Sem os valiosos financiamentos dos partidos políticos de direita e demais beneficiários diretos do impeachment, os movimentos “apartidários” perderam significativamente o seu poder de manobra sobre os seus midiotizados.
Na esteira da vez, Rodrigo Maia, presidente da Câmara e, principalmente, Renan Calheiros, presidente do Senado, outrora queridos por defenderem abertamente a saída de Dilma, se viram agora como os principais malfeitores da República.
Acusados de atentarem contra a operação Lava Jato e as 10 medidas anticorrupção (como se isso não já fosse evidente há meses), os dois foram banidos da lista de parlamentares que ainda servem à causa coxinha.
No mais, mais do mesmo. O juiz Sérgio Moro foi endeusado no lugar que já pertenceu a Joaquim Barbosa, ao japonês da Federal e aos demais heróis de ocasião que a mídia adora criar e depois descartar ao seu bel prazer.
Os pró intervenção militar, é claro, não poderiam faltar. Tentei conversar com eles mas diante das primeiras gotas de chuva que jogou um balde de água fria nos manifestantes, os destemidos defensores da moral e dos bons costumes bateram em retirada.
protesto - brasília 2
Sobrou o já folclórico personagem que considera salutar ir a uma manifestação que se diz em defesa da soberania brasileira fantasiado de Barack Obama. Com direito a faixa presidencial nas cores da bandeira americana.
Questionei o porquê dele vir a um evento daquela natureza vestido assim. Me disse, orgulhoso, que seria uma forma de chamar a atenção do mundo para o que estava acontecendo no país. No seu entendimento, seria o presidente dos Estados Unidos, e não o do Brasil, o político com a capacidade internacional de dar visibilidade ao movimento.  Dada a mediocridade do nosso atual presidente, não está de todo errado.
E por falar em mediocridade, não houve qualquer faixa, discurso ou sequer menção a Michel Temer. O cidadão foi mais uma vez completamente ignorado. Porém, se em Chapecó o desprezo dado a ele se deu por um ato de grandeza do povo daquela cidade em respeito aos seus mortos, por aqui, o silêncio era de vergonha mesmo.
Dono de uma equipe ministerial afundada em corrupção, responsável pelo aprofundamento da crise econômica e social e sem qualquer legitimidade internacional, os ditos independentes preferiram não tocar no assunto.
A manifestação acabou da mesma forma que teve início, vazia e melancólica. Para quem observava tudo de fora como eu, algumas cenas não deixavam de ser ilárias como a de uma senhora que fazia coraçãozinho com as mãos para os policiais militares.
Pensando bem, para quem não tem problema em passar vergonha, até que foi um bom programa de domingo.
protesto - brasília 4
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Carlos Fernandes
Sobre o Autor
Economista com MBA na PUC-Rio, Carlos Fernandes trabalha na direção geral de uma das maiores instituições financeiras da América Latina