segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pobres coitados intolerantes, com estudo mas plenos de ignorância e ricos de ódio

Seguem textos de Fernando Brito, do Tijolaço.com e de Lucas Vetorazzo, da Folha


Pobres coitados, ricos de ódio




Fernando Brito

Será que alguma hora, certas pessoas vão se dar conta ao papel ridículo a que estão sendo levadas?

Será que é possível que uma pessoa que vive numa das mais belas paisagens do mundo, num bairro onde não falta nada – nem mesmo segurança, porque dentro das precariedades do Brasil e do Rio de Janeiro, ela ali é das melhores – que tem escolas, empregadas, babás para seus filhos, que vive num padrão semelhante aos das melhores cidades dos EUA ou a Europa, se digam oprimidas, reprimidas, perseguidas?

Sinceramente, não lhes tenho ódio, nem quero que se vão embora daqui.
Tenho amigos queridos que votaram no Aécio e não deixam de ser queridos e amigos por isso, até porque aceitam os resultados e a vontade da maioria, que não os oprime.

Em plena ditadura, éramos muito mais fraternos… O  colega mais “bem-de-vida” dos tempos de faculdade, o saudoso Robertão, tinha um sobrenome aristocrático, um Puma e um barraco no Morro do Salgueiro, devidamente decorado com um escudo do Botafogo, sua paixão…

Vivemos tempos de intolerância, agora e é direito do povo brasileiro saber  que sentimentos se está provocando em alguns grupos que perderam completamente a capacidade de olharem para si mesmos e se considerarem seres humanos especiais, enquanto o resto do país é desprezível.

Nem eles sabem, mas é um transtorno mental assim que serve de incubadora do ovo da serpente do totalitarismo, de um novo Golpe para benefício das elites de sempre em detrimento do Brasil.

Infelizmente, a direita brasileira deu ao nosso país milhares e milhares de pessoas assim, incapazes de ver nos pobres não as vítimas de um modelo econômico, mas os culpados por se pretenderem tão seres humanos e tão cidadãos quanto eles.
Imaginem se os mais pobres os odiassem assim como eles odeiam?

É verdade que estes núcleos sempre existiram, mas se multiplicaram  e desde junho passado, foram legitimados para xingar, agredir e serem intolerantes.

Isso faz mal ao convívio humano e a única forma de reduzi-los aos grupinhos que sempre foram é não lhes responder com mais ódio.

O ódio é tratar o diferente como inimigo e acabar com a capacidade de convívio.
Peço, portanto,  que leiam sem ódio a reportagem de Lucas Vetorazzo, na Folha.

Sem ódio e com a piedade que merecem seres humanos transtornados.

É isso o que precisamos desafazer, embora não reste muita esperança de que gente que chegou a este ponto venha a retomar a razão com rapidez.

As calçadas e os bares do Leblon já foram frequentados por gente, como o Tom Jobim, que amava a paz, o mundo, as pessoas.

Terão virado terra de selvagens?

No Leblon, eleitores de Aécio falam em deixar o país

Lucas Vetorazzo, da Folha

Faltavam oito minutos para as 20h, hora em que se acreditava que o nome do novo presidente da República seria conhecido, e uma chuva fina caía no Leblon, o bairro com o metro quadrado mais caro do Rio.

Nada que esmorecesse o ânimo dos eleitores de Aécio Neves (PSDB) que assistiam à apuração no Botequim Informal, na rua Conde de Bernadote, tradicional ponto de encontro da classe média alta carioca.

“P… que pariu, o Aécio é presidente do Brasil”, passou cantando um eleitor, causando frisson no bar. As pessoas se abraçavam e comemoravam meio incrédulas. Rapidamente se soube que não passava de farra, pois o resultado ainda tardaria para ser divulgado.

O artista plástico Zeca Albuquerque, 48, morador do bairro nobre da zona sul do Rio, disparou que “se a Dilma ganhar, eu vou deixar o país. Vou morar em Miami”, enquanto comia um pastel de carne e bebia um chope tirado na hora.

O motivo se sua possível mudança para os EUA seria para fugir “dos vinte anos de ditadura do PT”, colocando na conta mais quatro anos, além dos 16 que o partido completará ao final do mandato de Dilma Rousseff, que mais tarde seria confirmada para o comando do Planalto pela segunda vez.

Questionado se mesmo com eleições regulares ele mantinha a crença de que viva em uma ditadura, ele afirmou que o aparelhamento da máquina pública perpetuava uma lógica ditatorial no país.

“É o aparelhamento do estado. Sai um, entra outro. Não há liberdade de expressão nesse país”, respondeu. O fato de criticar a presidente em público não é prova da liberdade de expressão?

“Eu só estou falando isso porque ela não está aqui atrás de mim, senão ela me dava um tapa, essa horrorosa. Minha vontade é raspar o cabelo dela”, disse.
A TV sintonizada na Globonews estava no mudo. Àquela altura, as 20h já tinham chegado e o resultado ainda não estava fechado. Dilma vencia por pouco. Os ânimos se acirravam no bar majoritariamente aecista.

A notícia da derrota do candidato tucano deixou Albuquerque inconsolável. Entre uma mordida e outra, batia com o copo de chope na mesa e xingava a presidente com palavrões impublicáveis. “Eu não vou dormir essa noite”. Mas antes ainda teve tempo de vaiar três eleitores de Dilma que passaram comemorando. O bar inteiro os vaiou.

Tão exaltada quanto estava Ana Silvia Castignani Alves da Silva, 37. Ela era uma das que dizia em voz alta que deixaria o país para morar na Itália, já que ela e seu filho pequeno têm dupla cidadania. Moradora do Leblon e formada em turismo, a gerente de vendas disse que o principal motivo para deixar o país é o alto custo de vida da classe média alta brasileira. Ela se disse uma “sobrevivente” desse cenário, que seria, em sua opinião, culpa do PT.

“Eu tenho a graça de ter dupla cidadania. Porque lá na Europa o meu filho tem educação e saúde grátis e de qualidade. Para que eu pago R$ 2 mil de colégio? Para essa mulher ganhar?”, disse ela, que continuou elencando suas “dificuldades”, pedindo desculpa de quando em quando pelos palavrões e pela “sinceridade”.

Entre as dificuldades, destacou a necessidade de morar de aluguel no Leblon “porque trabalha em um hotel no bairro e o custo de transporte ficaria muito alto se morasse em outro lugar” e porque tem a necessidade de pagar uma empregada para cuidar do seu filho enquanto ela trabalha doze horas por dia– “no Brasil a gente é obrigado e ter empregada doméstica para criar os nossos filhos enquanto a gente trabalha”.

“Na época dos meus pais, a classe média tinha o melhor apartamento, o melhor carro. Hoje eu sobrevivo. Eu vou sair do país por isso. A minha vida é essa, eu não vivo”, lamentava com um copo de chope pela metade.

Assim como ela, Alexandre Pereira Lukine, 40, gerente de tecnologia da informação da Tata Consultance Service, multinacional indiana instalada no Brasil, dizia que acreditava que a saída para classe média alta à eleição de Dilma seria o Galeão, o aeroporto internacional do Rio. Ele, que afirmou ser formado na Seattle Pacific University, nos EUA, disse que já nesta segunda começará a mandar currículo para fora do país.

Para ele, o governo do PT estimula que as pessoas tenham baixa formação, e os mais escolarizados pagam impostos para sustentar “os vagabundos em idade laboral que recebem bolsa isso e bolsa aquilo”, o que ele classificou não como um programa social, mas como “propina eleitoral”.

“As cabeças pensantes estão indo embora. Se eu ficar aqui eu vou virar o que? Vou ser guardador de carro? Quanto mais eu estudo, menos eu ganho. Pode escrever isso aí”, bradou.

A socióloga e historiadora Silvia Pantoja, 65, assistia à apuração com um grupo de amigos e dizia estar revoltada. Disse que deixaria o país, sem saber ainda pra onde iria. Ela, que disse ter militado no movimento estudantil durante o governo militar, comparou os 16 anos do PT com os 21 anos de ditadura militar.

Ela criticou a luta armada que Dilma empreendeu junto com outros militantes durante a ditadura, mas deixou escapar uma fantasia oculta de, por suas próprias mãos, mudar a situação atual do país.

“Se não fosse pela minha filha, eu dava uma de kamikaze e metralhava ela [Dilma]. Isso aqui é uma ditadura, eu não tenho mais o menor respeito por ela, que matou várias pessoas na luta armada fazendo terrorismo. Tinha que acabar a reeleição no Brasil”, disse.

A empresária Antonia la Porta, 32, estava “indignada”. Queria beber “muita cerveja” para afogar as mágoas. Ela estava na Europa e adiantou a passagem de avião só para votar em Aécio Neves. Agora, é “impeachment na certa”.

Sua amiga, a advogada Roberta Passomides, 32, acha que Dilma Rousseff ilude “os mais ignorantes” com o tanto de “bolsa” que anda distribuindo por aí. Se conhece alguém que votou na petista, “é porteiro, é garçom”. “Eles não sabem o que é Pasadena. O que interesse é ganhar o Bolsa Família”, diz, em referência a um dos escândalos na Petrobras.

Com a vitória de Dilma, o dólar vai subir 20%, lamenta Antonia, que diz ter conversado com economistas.

No mesmo bar do Leblon, o também empresário Alexandre Medrado, 26, acha que “não existem cervejas suficientes no mundo” para curar sua fossa eleitoral. Filiado ao PSDB, ele diz que o PT fez “terrorismo eleitoral” e criou “uma luta de classes desnecessária”.

Com uma longneck na mão, Alexandre também rejeita a “diplomacia esquerdista” do governo Dilma.

A gestora de RH Fernanda Fernandes, 31, é “totalmente contra o PT”, partido impregnado de “espírito de pobre”.

Com um adesivo de Aécio no peito, ela opinou: o PT ” pensa pequeno” e está “se ferrando para a classe média”. Em vez de valoriza-la, diz, prefere “dar condição para uma classe” que não alcançará o mesmo patamar.


Rede Brasil Atual: "Em eleição LIVRE e DEMOCRÁTICA, Dilma Rousseff enfrenta e volta a vencer golpistas"

Extraído da Rede Brasil Atual:



Dilma Coração Valente


VITÓRIA


Em eleição livre e democrática, Dilma Rousseff enfrenta e volta a vencer golpistas


Contundente, presidenta agregou movimentos e a esquerda, grupos com os quais terá de manter diálogo em seu segundo mandato. Aécio, Marina, mercado financeiro e Globo têm razão para estar boquiabertos.


São Paulo – Foi uma vitória maiúscula. A reeleição de Dilma Vana Rousseff (PT) escreve muitos capítulos inéditos e carrega uma força simbólica que, se não é maior que a das demais disputas vencidas pelo PT no plano federal, é única. A mulher nascida em Belo Horizonte em 1947 mais uma vez deixa de joelhos, boquiaberta, a repressão que lhe tentou cassar os direitos políticos.

Se havia alguma dúvida de que esta era uma eleição do candidato do sistema patriarcal brasileiro contra todo o resto, a edição do Jornal Nacional na véspera eliminou qualquer margem de ingenuidade. Jornalismo mandou lembrança, William Bonner. Dividida entre interesses públicos e privados, a emissora dos Marinho atendeu novamente a seu chamado de classe ao exibir reportagem sobre supostas denúncias de que Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva teriam ciência de um esquema de pagamento de propinas utilizando verbas da Petrobras.

Tentou um desfecho sujo para uma temporada eleitoral eleição suja. Sob o pretexto de um protesto de jovens que empilharam lixo em um prédio da editora, que chamou de “ataque” à sede do Grupo Abril, o Jornal Nacional dedicou seis minutos a narrar a “denúncia” da revista Veja, uma publicação que nunca esteve tão à altura da alcunha de “mídia golpista”. Lá pelas tantas aparecia a figura de Aécio Neves, candidato do PSDB dado a vitórias no tapetão. Fosse tão ético quanto jura ser, o tucano teria se recusado a ecoar uma reportagem feita com base num depoimento inventado – seu suposto autor, o doleiro Alberto Youssef, desmentiu que tenha feito as declarações difundidas pela publicação semanal.

Mas Aécio, a exemplo do Jornal Nacional, atendeu a seu DNA de classe, uma elite financeira que há muito chegou à conclusão de que vale qualquer coisa para tirar o PT do poder. Têm razão as pessoas que comparam essa disputa com a de 1989. Não pelo acirramento, nem pelo embate ideológico, mas pela tentativa da Globo de se fazer protagonista de um pleito do qual não é partícipe – ou, legalmente, não o é.

A divulgação de reportagem contra Dilma na véspera da eleição não se deu ao acaso: a “denúncia” já era de conhecimento público na véspera, quando os Marinho não a quiseram levar ao ar. Não quiseram por um motivo óbvio: a presidenta teria tempo de apresentar sua versão no debate daquela noite ou de buscar direito de resposta no Tribunal Superior Eleitoral, como o obtido contra a Veja.

A última edição do Jornal Nacional antes das eleições não pode ser enxergada fora de contexto. São 12 anos de bombardeio, quatro em particular, 2014 em particularíssimo. A vitória de Dilma não é uma derrota apenas de Aécio e do PSDB. É da mídia tradicional, que investiu até o último grama de força para bater no PT, chegando ao ponto da desestabilização da democracia. É do mercado financeiro, que nos últimos três meses praticou um rally eleitoral e encontrou no tucano um porta-voz de sua vontade de ter um governo que deixe a especulação comer solta. É de Marina Silva e do PSB, que, sob o pretexto da não neutralidade maltrataram suas histórias e alinharam-se à força neoliberal que tanto combateram. É do ódio visceral a um partido, de um sentimento mais vomitado e gritado do que explicado.

É de todo um sistema repressor da democracia. O segundo turno clareou o que estava em jogo. De um lado alinharam-se movimentos sociais comprometidos com avanços, centrais sindicais em busca de melhorias para a vida do trabalhador, partidos que carregam no histórico a tentativa de transformação do país. De outro estiveram meios de comunicação a serviço da especulação financeira, representantes de segmentos fundamentalistas apavorados com qualquer avanço social, partidos que carregam no histórico a marca do elitismo e da divisão de classes.

A vitória de Dilma, por isso, jamais poderá ser entendida como um sucesso alcançado sozinho. É o êxito que coroa uma união de forças progressistas. É o êxito das ideias democráticas sobre o ideário que considera que Brasil bom é o que se divide entre pobres e ricos e que vê como intento autoritário a proposta de ampliar a participação popular, já que o exercício do sistema político deve se dar entre quatro paredes.

É esta corrente que a presidenta terá de encabeçar no exercício do mandato. Se a primeira vitória foi celebrada por trazer no bojo a maior base aliada da história no Congresso, a segunda deve ser motivo de comemoração para a esquerda por uma rara união. União que só poderá ser mantida mediante avanços institucionais em diversas áreas.

A reeleição da presidenta carrega o poder simbólico da foto em que aparece, menina, com gesto imponente perante militares que representavam a tortura e a cassação de seus ideais. Deixou a repressão de joelhos ao sobreviver às sevícias, retomar sua militância política, se tornar secretária no Rio Grande do Sul, ministra de Lula, presidenta do Brasil e uma das mulheres mais influentes do mundo.


Ao longo dos quatro anos, e particularmente desde julho, foi submetida a uma surra inesquecível. As cicatrizes, carregará para sempre. Tentarão deixar outras marcas, buscando agora um terceiro turno que já haviam tentado em 2010, ao tratar por ilegítima uma vitória obtida com a superação de dificuldades, mentiras, acusações. Dilma deixou a repressão de joelhos, mais uma vez. Não será perdoada, e terá de travar uma batalha definitiva contra os fantasmas do passado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Quando a Esperança e a razão vencem o ódio, o fascismo e o fundamentalismo: a poesia no último programa eleitoral de Dilma



Texto de 
Carlos Antonio Fragoso Guimarães


   Em seu último programa do segundo turno da Campanha eleitoral, a Presidente Dilma elevou o povo brasileiro à condição real de protagonista principal, com a presença e apoio de artistas e personalidades da cultura nacional. Sem raiva, sem ódio, mas, sem deixar de citar o jogo sujo da Veja, desenvolvido com pura poesia, o programa apresenta o Brasil dos brasileiros, de gente que pode retomar estudos, de se formar, de realizar sonhos, ter uma vida mais digna, não perdendo tempo em se focar nos preconceito das velhas elites rancorosas...

   Poesia, emoção, carinho e esperança.... Essa foi a mensagem de uma guerreira e de uma campanha que é e será, certamente, Vitoriosa! 

   Assista novamente, ou veja pela primeira vez, o belo vídeo do final da campanha presidencial de Dilma Rousseff, exibido na noite de 24 de outubro de 2014:



video

domingo, 19 de outubro de 2014

O fascismo botou as garras de fora



"A atual oposição e seus cães de guarda estejam eles nos partidos políticos, nas redações jornalísticas ou mesmo em algumas cloacas judiciárias, está abusando da liberdade de que desfruta e apelando para os mais variados golpes de sordidez. "

Por Izaías Almada, extraído do Blog do Altamiro Borges

O fascismo brasileiro botou as garras de fora. Parte da oposição brasileira transformou a atual campanha presidencial numa espécie de filme de faroeste onde a lei é matar ou morrer.

A postura do seu candidato, seu discurso e suas atitudes, alguns dos apoios recebidos, o incentivo ao preconceito e ao racismo, o uso seletivo de frases de bandidos com delação premiada, tudo isso vai desaguar num mar de lama que, freudianamente, procura imputar aos seus adversários. Qualquer aluno do primeiro ano de psicologia mata a charada.

Deixando de lado o fator ‘briga de torcidas’ tão comum em disputas eleitorais, e levando-se em conta os crimes até aqui praticados por boa parte da imprensa brasileira, como a divulgação de pesquisas manipuladas e das tais delações premiadas seletivas contra o governo e o Partido dos Trabalhadores, penso que é dever de todo cidadão brasileiro consciente lutar até o fechar das urnas no próximo dia 26 pela vitória da presidente Dilma Rousseff.

Repito: deixar que marginais tentem influir no resultado das eleições – e por marginais não me refiro apenas ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto e ao doleiro Youssef – é uma temeridade e uma prática política que o país tem que enfrentar e derrotar.

A atual oposição e seus cães de guarda estejam eles nos partidos políticos, nas redações jornalísticas ou mesmo em algumas cloacas judiciárias, está abusando da liberdade de que desfruta e apelando para os mais variados golpes de sordidez. 

Uma oposição, essa sim, que começa a rachar o país ao meio: preconceituosa, arrogante, antidemocrática. Já é possível, como afirmo na abertura do artigo, identificar algum comportamento fascista ou mesmo nazista de alguns de seus integrantes que atacam nas ruas simpatizantes da candidatura de Dilma Rousseff.

À medida que os dias avançam e nos aproximamos do domingo 26 sentimos a corda esticar e o nervosismo espalhar-se pelos poros da nação, pois desta vez não se trata apenas de ter o eleitor de se identificar com esse ou aquele candidato, com esta ou aquela ideia. Ou proposta. 

Há mais do que isto, pois, mesmo em termos embrionários e imaturos de uma consciência política ainda difusa, vai se impondo imperceptivelmente para muitos, à direita e à esquerda, as mudanças e melhorias dos últimos doze anos.

E toda mudança, mesmo que suave, causa o enfrentamento entre os que acreditam nela e os que tentam desacreditá-la ou negá-la.

A propósito, tenho lido aqui e ali alguns artigos de “apoios envergonhados” a Dilma Rousseff com a já velha cantilena do purismo ideológico, esse mesmo purismo que transforma partidos em agrupamentos de pouquíssima representatividade no conjunto da sociedade brasileira.

Quem explora o ódio e o preconceito corre o risco de se tornar vítima desses sentimentos mais cedo ou mais tarde. A direita brasileira, na falta do que propor para o país está abrindo as comportas de um fanatismo alicerçado em bandeiras (bairristas, fascistas, racistas) que já espalharam muita dor pelo mundo.

Os anos Lula e Dilma criaram um projeto para o país, um projeto que confirma a nossa soberania, o nosso desenvolvimento, a nossa solidariedade a países mais pobres, o nosso desejo de paz com nossos vizinhos e em todo o planeta. Estabelece o combate à desigualdade entre os cidadãos e cria estruturas de acesso à educação. Sem esquecer os pormenores de outras questões relevantes, é disso que se trata a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Sobre o candidato Neves, o que se pode dizer é o seguinte: quando a hipocrisia ultrapassa os limites da sua própria natureza já se trata de uma questão de internamento. E a cadeira do Palácio do Planalto não é necessariamente um divã de psiquiatria. O Brasil não merece essa desgraça.


Dia 26 o Brasil será duas vezes 13. Duas vezes Dilma.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Exame, da Editora Abril dos Civitas, O Globo, dos Marinhos e a Folha de São Paulo, dos Frias, tiveram de divulgar que ex-presidente do PSDB foi um dos que receberam propinas desviadas da Petrobras, conforme Paulo Roberto Costa


Paulo Roberto Costa, o conhecido delator dos equemas da Petrobrás afirmou ao Ministério Público que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma CPI criada par ainvestigar a Petrobrás em 2009. Vejamos como tal informação foi relatada por veículos da grande imprensa explicitamente favoráveis á Aécio Neves...

Segue texto retirado do site da revista EXAME, da Editora Abril da família Civita:

Brasília - Paulo Roberto Costa, em delação premiada, apontou data e valores que teriam sido entregues ao ex-senador Sérgio Guerra (PE) para 'travar' CPI da Petrobras.
A informação foi dada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em um de seus depoimentos no âmbito da delação premiada que fez perante força tarefa do Ministério Público Federal.
Guerra fez parte da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele morreu em março de 2014. Paulo Roberto revelou data e valores que teriam sido repassados ao então senador. 
Costa disse que entregou propina para Guerra a pedido de empreiteiras que tinham interesse em neutralizar a CPI. 
A delação de Costa está nas mãos do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. 
Em seus relatos, o ex-diretor da estatal petrolífera citou pelo menos 32 parlamentares que teriam sido beneficiados pelo esquema de corrupção que se instalou na Petrobras.

Segue o texto retirado do site de O Globo, das organizações do mesmo nome da família Marinho:

Ex-diretor da Petrobras diz que repassou propina para ex-presidente do PSDB
Paulo Roberto Costa fez afirmação em depoimento ao MPF do Paraná


POR JAILTON DE CARVALHO

16/10/2014 19:11 / ATUALIZADO 16/10/2014 20:26


Deputado pernambucano e ex-presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra morreu aos 66 anos - Agência O Globo 02-03-2012



BRASÍLIA — Num dos depoimentos da série da delação premiada, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que pagou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para esvaziar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras em 2009. A CPI foi criada a partir de um requerimento do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para investigar desvios na construção da refinaria de Abreu e Lima, entre outras irregularidades, terminou sem qualquer resultado concreto.

Guerra era um dos principais líderes da oposição na CPI. O ex-senador morreu em 6 de março deste ano. Ele foi substituído no cargo pelo senador Aécio Neves, atual candidato do PSDB à presidência da República. No início, a CPI provocou desgaste ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas depois começou a ser vista como um problema por integrantes de vários partidos. As investigações naquele momento estariam afugentando importantes doadores de campanha.

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As informações sobre o ex-presidente do PSDB e dos demais políticos mencionados por Costa foram encaminhadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá ao ministro, decidir se manda a Polícia Federal abrir inquérito sobre cada um dos políticos mencionados pelo ex-diretor da Petrobras.

Apesar da oposição ser minoritária na CPI, as empreiteiras temiam prejuízos que poderiam sofrer com a repercussão na mídia. A CPI criada em 2009 para investigar a Petrobras não foi adiante. Foi instalada em julho e acabou em novembro. Sérgio Guerra e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) abandonaram a comissão no fim de outubro alegando que o governo, por ser majoritário, impedia qualquer investigação. A CPI do Senado tinha 11 membros, três deles integrantes da oposição: Guerra, Dias e Antônio Carlos Magalhães Filho (DEM-BA). A CPI acabou desacreditada e acabou em novembro de 2009, sem que nada de concreto tenha sido apurado. Outra CPI, entretanto, com participação da Câmara e do Senado foi criada.

Segue texto retirado da Folha de São Paulo, da família Frias:

Costa diz que pagou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra



MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

16/10/2014  18h00


O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ao Ministério Público Federal que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009.

Guerra, que na época era senador por Pernambuco e integrava a comissão, morreu em março deste ano, aos 66 anos, vítima de um câncer no pulmão. Foi substituído pelo presidenciável tucano Aécio Neves no comando do partido.

A Folha ouviu quatro pessoas envolvidas na investigação da Operação Lava Jato que confirmaram que o dirigente tucano foi citado em um dos depoimentos que Costa prestou após decidir colaborar com as autoridades.

De acordo com essas pessoas, Costa contou ter tomado providências para que o dinheiro chegasse ao senador do PSDB, que na época fazia oposição ao governo petista, mas disse não saber se ele recebeu os recursos.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, empresas que prestam serviços à Petrobras tinham como objetivo nessa época encerrar logo as investigações da CPI, porque ela ameaçava prejudicar seus negócios com a estatal.
A existência da comissão também incomodava o governo e os três partidos que Costa apontou agora em seus depoimentos como os principais beneficiários do esquema de corrupção que teria atuado na estatal: PT, PMDB e PP.

Embora a oposição fosse minoritária na CPI, as empreiteiras temiam prejuízos que poderiam sofrer com o barulho que elas faziam na imprensa sobre as suspeitas na Petrobras.

Em nota, o PSDB disse defender todas as acusações feitas por Paulo Roberto Costa sejam investigadas. Francisco Guerra, filho do ex-senador, afirmou não ter nada a dizer sobre a acusação, mas diz preservar o legado do seu pai "com muita honra".

Paulo Roberto Costa disse acreditar que Guerra recebeu a propina em 2009, porque nunca mais foi procurado por ninguém para tratar do assunto. Nas eleições de 2010, Guerra disputou uma vaga de deputado federal por Pernambuco. Ele foi o sexto mais votado no Estado naquele ano.

A CPI criada em 2009 para investigar a Petrobras teve vida breve: foi instalada em julho e acabou em novembro. Guerra e o senador paranaense Álvaro Dias, também do PSDB, abandonaram a comissão no fim de outubro alegando que o rolo compressor do governo impedia qualquer tipo de investigação séria.

Os tucanos apontavam na CPI suspeitas que acabaram sendo investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, desencadeada em março deste ano, como a de que houve superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e as empreiteiras pagavam suborno a parlamentares e servidores na Petrobras.

O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu na época afirmando que a oposição era "antipatriótica" ao atacar a Petrobras, mas ironizou o ímpeto dos adversários. Ao ser questionado uma vez se a CPI acabaria em pizza, respondeu: "Todos eles [senadores] são bons pizzaiolos".

A CPI do Senado tinha 11 membros, três deles integrantes da oposição: Guerra, Dias e Antonio Carlos Magalhães Filho (DEM-BA), que assumiu com a morte de seu pai.

A comissão acabou desacreditada quando foi decretado o seu fim em novembro de 2009: nada de concreto foi apurado sobre a estatal.

O PSDB sempre culpou o PT e Lula pelo esvaziamento da CPI. Um dos textos do site da liderança do PSDB no Senado, publicado em março deste ano, traz o seguinte título: "Governo engavetou CPI da estatal em 2009".

OUTRO LADO

O PSDB diz em nota que "defende que todas as denúncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independente da filiação partidária dos envolvidos e dos cargos que ocupem".

Francisco Guerra, filho do ex-senador, disse à Folha que desconhece a citação feito a seu pai pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa no acordo de delação premiada.

"Eu não tenho absolutamente nenhuma declaração a dar. Eu não tenho como falar com alguém que já não está mais aqui. Mas eu preservo o legado do meu pai com muita honra", afirmou.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Texto de Luciano Martins Costa sobre uma mídia tendenciosa repleta de escribas e fariseus




ELEIÇÕES 2014

A imprensa dos escribas e fariseus


Por Luciano Martins Costa em 15/10/2014 na edição 820




   O cidadão que rastrear, na quarta-feira (15/10), as edições dos principais jornais de circulação nacional vai encontrar um texto interessante por sua clareza incomum, considerando-se o personagem e a circunstância de que trata. Diz o seguinte: “A estiagem recorde e o calor atípico talvez possam ser atribuídos às mudanças climáticas. O grave risco de desabastecimento da Grande São Paulo, entretanto, deve-se a outro fenômeno – a incúria das sucessivas gestões tucanas que comandam o Estado desde 1995”.

  Estamos diante de um editorial da Folha de S.Paulo, no qual se pode registrar um fato histórico: pela primeira vez, na longa e penosa crise da falta d'água, um dos grandes diários afirma, com todas as letras, que o governador é o principal responsável pelo problema.   

 Num texto sem meias-palavras, o editorialista afirma que o governador Geraldo Alckmin falhou em várias frentes que poderiam amenizar a crise: não protegeu mananciais, não cuidou do tratamento de esgotos e dejetos industriais, não atuou contra o desperdício e não aplicou os recursos destinados ao aumento da capacidade de “reservação”.

  Depois de observar que a recuperação do sistema de represas pode demorar quatro anos, isso se as chuvas voltarem à sua média histórica, o jornal afirma que o governador segue omitindo informações à população. Falta transparência e coragem para admitir a gravidade da situação, conclui o editorial. O texto chega a fazer blague, lembrando que Alckmin brincava com o problema, ao dizer que choveria em setembro, porque ele havia aprendido, na roça, que só chove nos meses com a letra “r”.

  O leitor ou leitora que coloca tento no que lê haverá de se perguntar: o que houve com a Folha de S.Paulo? Bandeou-se para a oposição, depois que a eleição estadual foi resolvida em primeiro turno? Decidiu, finalmente, tratar a falta de iniciativa do governador de São Paulo com “atitude crítica”?

  Não.

 A Folha vai pedir o impeachment do governador, ou, como os outros grandes diários, está apenas cobrando a conta do apoio descarado que ofereceu a ele durante a campanha eleitoral?

 Um poço de cinismo

  Se o jornal tivesse caráter, no sentido que se dá às qualificações morais de um indivíduo, não teria esperado o governador se reeleger para quebrar o silêncio e revelar o que seus editores sempre souberam sobre a falta d’água.

  Pode-se esperar o mesmo, caso o senador Aécio Neves venha a ser eleito presidente da República? Os jornais vão abrir suas caixas de ferramentas e revelar o que omitem durante a campanha eleitoral?

 O súbito ataque de sinceridade da Folha reflete bem o poço de cinismo em que se transformou a imprensa hegemônica do Brasil. Na reportagem em que o jornal relata a saída do colunista Xico Sá, citada neste espaço na terça-feira (13/10), a direção do diário anota que seu “manual de redação” recomenda aos colunistas que evitem, em suas colunas, proselitismo eleitoral ou declaração pública de voto.

  Mas a grande pérola de farisaísmo pode ser apreciada na frase final: “A restrição não se aplica a críticas a partidos, políticos e candidaturas”. Isso significaria, por largueza de interpretação, que um colunista não pode dizer que vota em Dilma Rousseff, mas os outros podem passar anos chamando os petistas de “petralhas” e achincalhando tudo que se refere ao partido e seus representantes.

 Seria essa a interpretação para o que uma colunista do Estado de S.Paulo chama de “atitude crítica” da imprensa em relação ao grupo que se reelege no Executivo federal desde 2002?

  A imprensa hegemônica do Brasil faria grandes benefícios à consolidação da nossa democracia e à educação cívica da população se realmente tivesse uma “atitude crítica” em relação a todos os poderes da República, indiscriminadamente. Mas, infelizmente, o que se vê é o apoio explícito a um dos lados em que se divide o espectro político, e uma campanha sistemática para desqualificar e demonizar o outro lado. Essa distorção foi demonstrada mais uma vez, na entrevista concedida pelo cientista político João Feres Jr., criador do Manchetômetro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ao programa Espaço Público, da TV Brasil, transmitido na terça-feira (14).

  Aqui e ali, no noticiário de quarta-feira (15) sobre o primeiro debate entre os dois candidatos ao segundo turno da eleição presidencial, analistas da imprensa se referem ao clima de extrema beligerância que encobre os temas mais relevantes, e sua repercussão nas redes sociais, onde se percebe que as manifestações chegam a um alto nível de agressividade.

  Os jornais apenas esquecem a grande contribuição que têm dado para que isso esteja acontecendo.

Fernando Brito discute a "meritocracia" de Aécio Neves



Artigo de Fernando Britto, extraído de O Tijolaço:


Eu sei que me queixo demais do debate, que deveria não ser uma derrota, mas um massacre da candidatura Aécio Neves.

Porque  as coisas, ontem poderiam ter sido colocadas em seus devidos lugares com uma simples pergunta de Dilma Rousseff a Aécio Neves:

Candidato Aécio. O senhor falou diversas vezes em meritocracia. Isso quer dizer que os cargos públicos devem ser ocupado por mérito e aliás nunca se fez tanto concurso público no Brasil. Mas, como o senhor repete isso o tempo todo, eu queria fazer uma pergunta. O senhor podia me informar se foi por mérito que o então presidente Sarney nomeou o senhor aos 25 anos diretor da Caixa Econômica Federal. Era por mérito que o senhor foi assessor da Câmara desde  quando vivia naquela vida de garotão no Rio de Janeiro?

Podia gritar, chiar, sapatear que sua hipocrisia ficaria evidente.

Porque se não for assim, se depender da imprensa leniente com tudo o que diz respeito ao tucano, as pessoas não a verão.

Porque os jornais não vão apurar e se limitam a publicar que Aécio “desmente” a informação de que foi contratado pela Câmara em 1977, como consta do site da instituição. Diz que não foi aos 17 anos, mas aos 19…

“O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, admitiu em nota que foi contratado para trabalhar na Câmara dos Deputados, que fica em Brasília, mesmo enquanto ainda morava no Rio de Janeiro, em 1980. Na época, tinha 19 anos.”, diz a Folha.

E tinha mesmo e estava, confessadamente, vivendo a vida boa de garotão praieiro no Rio, da qual ele costuma dizer que Tancredo Neves o fez abandonar para entrar na política.

Ajudo os coleguinhas jornalistas que não fizeram o óbvio, de ir na Câmara buscar os dados.

Eu fui.

Publico aí em cima os atos de nomeação e dispensa do tucano “meritocrata”, que saiu da Câmara no dia seguinte a Tancredo Neves assumir o governo do Estado, trocando um avô (Aécio Cunha) por outro.

Agora, os repórteres podiam me dar uma folga e ir ao Cade, onde Aécinho teve uma “boca” antes da Câmara e ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, onde também entrou pela janela.

A meritocracia de Aécio é uma piada.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Além do Aécioporto, dinheiro publico foi despejado nas rádios da famílias Neves

Texto de Eduardo Guimarães, extraído do Blog da Cidadania:


Confira, abaixo, a denúncia – pero no mucho, pois não foi destacada na primeira página e ficou "escondidinha" no cardeno especial sobre as eleições – da Folha.

Clique aqui para visitar a página original da matéria

Imagine, leitor, se Lula tivesse dado dinheiro público a algum parente durante seu governo. A mídia e a oposição não se contentariam com impeachment. Possivelmente, exigiriam pena de morte. De preferência, por imersão do petista em óleo fervente.

Para que se possa mensurar o nível de intolerância da imprensa, do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal com petistas e o nível inacreditável de tolerância com tucanos, basta lembrar que um dos filhos de Lula foi julgado e condenado pelos meios de comunicação por uma empresa com a qual se associou ter tido relações com o governo do pai.

Pois bem: na edição de terça-feira (14) da Folha de São Paulo, em matéria escondidinha no “caderno especial” sobre as eleições – e, claro, sem chamada alguma na primeira página –, o jornal relata um escândalo surpreendente: quando governou Minas Gerais, Aécio Neves deu dinheiro do Estado diretamente a empresas de sua família. No caso, algumas rádios.

A matéria da Folha escandaliza por revelar um nível quase inacreditável de, ao menos, espantosa incúria dos governos do PSDB de Minas Gerais com a “res publica”, razão pela qual a matéria espantosa saiu muito bem escondida no jornal da família Frias. Talvez por isso, ao fim da manhã do dia da publicação, essa matéria tenha ganhado pouco destaque.

O escândalo foi descoberto em 2011. A Folha diz que, naquele ano, “o PT pediu que o Ministério Público investigasse a publicidade nas empresas da família [de Aécio]”. Porém, o que o jornal não diz é que a descoberta decorreu de um dos fatos que mais depõem contra um político que, tragicamente, tem chance de governar o Brasil (!).

Leia, abaixo, matéria do portal G1 de abril de 2011

Clique aqui para visitar a página original da matéria

Esse é o homem que nos gera o risco de que venha a governar o país.

Continuando. De fato, foi o PT de Minas Gerais que pediu para o Ministério Público investigar pagamentos que o governo Aécio Neves fez à família do então governador daquele Estado entre 2003 e 2010. Porém, o que a matéria não diz é como foi que o PT descobriu, em 2011, que o agora ex-governador mineiro se beneficiava PESSOALMENTE daqueles pagamentos.

Quase um ano após a detenção de Aécio no Rio de Janeiro por supostamente estar dirigindo embriagado – já que se recusou a fazer o teste do bafômetro –, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito civil, a pedido do PT, para investigar repasses feitos entre 2003 e 2010 pelo governo mineiro à rádio Arco Íris, de propriedade da família do tucano.

Além de Aécio, também consta no inquérito MPMG-0024.12001113-5 a irmã dele, Andrea Neves, responsável pelo controle de gastos do governo mineiro com comunicação durante o governo do irmão.

Mas como foi que o PT descobriu tudo isso? Simplesmente porque o veículo que Aécio dirigia quando foi detido em 2011 no Rio por dirigir com a carteira de habilitação vencida e por ter se recusado a fazer o teste do bafômetro pertencia a ninguém mais, ninguém menos do que à emissora de rádio da família do tucano.

Aécio dirigia um jipe Land Rover, placas HMA-1003, comprado em novembro de 2010 em nome da emissora.

Sem a detenção de Aécio na blitz da lei seca no Rio em 2011, nada disso teria sido descoberto. E quem diz não é este Blog, mas outro jornal que, tal qual a Folha, apoia o PSDB: o Estadão. Por isso, esse jornal publicou em 2012, também sem destaque e sem continuidade, a matéria que você pode conferir abaixo.


Clique aqui para visitar a página original da matéria

Como se viu na matéria recente da Folha, o caso não deu em nada porque, tal qual ocorre em São Paulo, a ditadura tucana mineira cooptou o Ministério Público local. O então procurador-geral do Estado, Alceu Marques, encerrou o caso sem sequer verificar os valores que o Erário de Minas Gerais doou às rádios da família de Aécio e, como prêmio, foi nomeado secretário do Meio Ambiente pelo governo tucano que os mineiros acabam de rejeitar nas urnas.

Se tudo que vai acima não o convenceu de que pôr alguém como Aécio na Presidência seria um suicídio coletivo do povo brasileiro, a menos que você esteja sendo pago pela campanha tucana é melhor que procure, com urgência, tratamento psicológico.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O fracasso da Abril e os negócios da Globo por trás dos ataques à Dilma



Texto de J. Carlos de Assis, extraído do JornalGGN:


O Grupo Abril está em processo de quebra. Depois de duas reestruturações, uma no ano passado e outra em meados deste ano, com demissões de centenas de empregados, despeja o fel de seu fracasso empresarial contra o atual Governo, na esperança de que um novo governo, nomeado por ele, lhe venha salvar os negócios. A fonte do ódio é uma só, dele e do Sistema Globo: uma ligeira queda, ou mais propriamente, uma falta de crescimento das verbas publicitárias oficiais canalizadas para os dois grupos.

Na atual reestruturação, o Grupo criou sintomaticamente, entre as quatro novas unidades, a unidade de “Notícias e Negócios”. Isso sim. Para a Abril, notícia é negócio, e negócio é notícia. É manipulando notícia que ela faz negócio. Daí, a necessidade de colocar sob a mesma autoridade executiva os dois segmentos. Não se pode separá-los. Noticia-se o que dá dinheiro, e negocia-se a notícia. O Grupo Abril atingiu a perfeição em sua nova reorganização. Sua estrutura reflete sua ética jornalística, sua peculiar liberdade de imprensa.

Dilma paga um preço alto, na forma de uma conspiração golpista jurídico-midiática capitaneada por Veja e Globo contra sua candidatura, por conta de reduzir, mesmo que ligeiramente, a mamata do dinheiro público que alimenta as receitas milionárias dessas duas mídias responsáveis pelos mais torpes ataques nessa campanha. A reorganização da verba publicitária iniciada no Governo Lula infelizmente não foi muito mais longe com Dilma, mas só a ameaça de isso ser retomado no próximo mandato põe os golpistas em pânico.

Teme-se também um novo marco regulatório da mídia, que espalha o pavor entre os grandes oligopólios da comunicação no Brasil, em especial os televisivos. Na verdade, quando se fala em regulação todos eles tremem nas bases. Afinal, prevalecem de estruturas oligopolistas que transformaram a comunicação no Brasil num campo de manipulação de algumas famílias privilegiadas, usando, no caso do rádio e televisão, meios públicos de difusão estruturados sobre concessões do Estado.

O eventual Governo Aécio, se vier a acontecer, é a salvação dos grupos Abril e Globo. Aécio literalmente comprou a aprovação de seu Governo mediante manipulação por parente próxima de verbas publicitárias do Estado em conluio com grande parte da imprensa mineira, uma das mais corruptas do país. É um peixe gordo que, se cair na rede da Abril e da Globo, alimentará fartamente toda a mídia venal, garantindo, porém, os nacos mais saborosos para as duas instituições que, junto com Estadão e Folha, estão na frente campanha pró-Aécio.

 *Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

Aécio, o mar de lama da mídia e os interesses por trás das manipualções das informações e pesquisas



Segue artigo de Davis Sena Filho, extraído do Brasil 247:



Nunca, de forma alguma, eu vi o sistema midiático, eterno propagador do "mar de lama" desde os tempos de Getúlio Vargas perder totalmente a compostura e assumir der vez o lugar da oposição partidária de direita

As classes dominantes brasileiras, à frente as famiglias donas de verdadeiros protetorados midiáticos, sempre tiveram DNA golpista. Essa gente sempre quis subordinar o Estado brasileiro aos seus ditames e interesses, além de lutar para que o Brasil continue a seu bel-prazer na condição de um País dependente, a reboque dos países ditos desenvolvidos e a atender aos interesses do establishment internacional, principalmente no que diz respeito a políticas econômicas que favoreçam os banqueiros nacionais e internacionais.

Ao privilegiar os banqueiros, privilegia-se todos os grandes segmentos e setores empresariais, rurais e urbanos, que vão ser premiados com o ressurgimento do neoliberalismo, derrotado há mais de dez anos pelas urnas do Brasil e de muitos países da América Latina. Nações que, no decorrer de quase 30 anos, tiveram o dissabor de terem suas economias levadas à falência e, consequentemente, seus povos desempregados.

A verdade é que atender aos interesses de castas privilegiadas e de governos de carácteres imperialistas era a tônica, pois a ordem obedecida na prática, a partir do Consenso de Washington de 1989. O desenvolvimento de uma estratégia antinacional e abraçada com fervor pelo governante entreguista, Fernando Henrique Cardoso, que governou como um caixeiro viajante, porque vendeu o patrimônio do Brasil irresponsavelmente, a cometer crimes de lesa-pátria.

Com efeito, ainda alinhou automaticamente a diplomacia brasileira aos interesses dos Estados Unidos e dos países grandes da Europa Ocidental, bem como efetivou uma política externa de dependência, vergonhosamente conhecida como a "Diplomacia do Tirar os Sapatos", tão dedicadamente efetivada pelo chanceler tucano, Celso Lafer. O diplomata certa vez, em 2002, esteve oficialmente nos Estados Unidos e teve de se submeter a tirar os sapatos em aeroporto de Miami. A submissão em toda sua essência e a subserviência em toda sua plenitude. Realmente, tal espírito subalterno simbolizou, inapelavelmente, a Era FHC.

Agora, neste exato momento, o PT e a candidata, Dilma Rousseff, estão a sofrer uma avalanche de intrigas, mentiras, acusações, calúnias, injúrias e difamações veiculadas, sistematicamente, pelas mídias de mercado, a ter à frente desses canhões midiáticos privados as famílias Marinho, Frias, Mesquita, Civita e Sirotsky, além dos Diários Associados, cujos principais jornais do grupo empresarial conservador e de passado golpista são o Estado de Minas e o Correio Braziliense.

São esses magnatas bilionários de imprensa que se beneficiam, inclusive, com concessões públicas para terem no ar suas televisões. São eles os verdadeiros porta-vozes do golpe no Brasil, com ramificações robustas e influentes no exterior. Esses megaempresários são os propagadores da crise, do que eles matreiramente e inescrupulosamente chamam de "mar de lama". A resumir: a crise tem nome, e o nome dela é imprensa familiar — a de negócios privados.

O "Mar de Lama Midiático", que levou Getúlio Vargas à morte; que foi o combustível do golpe de Estado sofrido por João Goulart; que humilhou Juscelino Kubitschek, ao ponto de ele ter de se apresentar ciclicamente para um oficial subalterno; e que insistiu em afogar em suas águas turvas o trabalhista Leonel Brizola até o ano de sua morte, em 2004. Sem, no entanto, conseguir.

Sem ter um mínimo de ética e isenção jornalística, a grande imprensa, herdeira da escravidão, de extrema direita e golpista por convicção, pois aposta na vitória eleitoral do candidato do PSDB, Aécio Neves, toma, inadvertidamente, a frente do processo eleitoral. Além disso, a imprensa alienígena conta com a cooperação de setores direitistas e golpistas do Judiciário e da Polícia Federal, para publicar declarações gravadas de um ladrão, que roubou a Petrobras, bem como as de um doleiro, mequetrefe e rastaquera, mais conhecido no Brasil do que nota de dois reais.

Doleiro que sempre teve relações próximas, carnais, com os tucanos, inclusive em escândalos financeiros e administrativos. Contudo, a imprensa meramente mercantil se "esquece" desses fatos e passa a tratar as declarações de criminosos presos como se fossem as mais inquestionáveis verdades, sendo que sem quaisquer provas, como comprovam as matérias de revistas a serviço do PSDB, como a Época e a Veja, bem como os jornais da Globo, da Globo News, da Bandeirantes e do SBT.

Um absurdo, que somente acontece no Brasil porque os presidentes Lula e Dilma, apesar de suas popularidades, nunca tiveram disposição para efetivar o marco regulatório, a fim de regular e regulamentar o setor midiático. Ou seja, o País que tem uma das Constituições mais avançadas e progressistas do mundo, incrivelmente, não tem uma Lei dos Meios, como, por exemplo, tem os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Inglaterra e a nossa vizinha Argentina. Ponto!

Declarações retiradas propositalmente de um contexto mais amplo, mas suficientes para causar confusão e dúvida junto ao público, que ora se prepara para votar no dia 26 de outubro. Trata-se de homens presos pela Polícia Federal no Governo Dilma, ou seja, do PT, e que estão a ser usados eleitoralmente por policiais federais e juízes, que vazam depoimentos e assim cooperam com o PSDB e sua porta-voz: a imprensa corporativa e monopolista. A mídia privada dominada por meia dúzia de famílias que odeiam o Brasil, mas que jamais vão abrir mão de ganharem tanto dinheiro nessas terras tupiniquins, que sempre multiplicaram seus bilionários negócios.

É acinte e atentado à democracia, ao processo eleitoral e à Constituição o golpe midiático às vésperas das eleições. Não são toleráveis, em hipótese alguma, as atividades políticas indiscutivelmente eleitoreiras das famílias midiáticas e de seus empregados, que conseguem ser piores do que seus patrões. Um absurdo, que deveria ser duramente questionado pelos STF, PGR, TSE e OAB.

A luta para derrotar o PT, o maior, o mais orgânico e importante partido da história deste País está a alcançar as raias da loucura, a ter como prática crimes como o vazamento de delações (premiadas) de ladrões que foram presos em governo petista. Prisões que não aconteciam em governos tucanos, porque tudo era jogado para debaixo do tapete, bem como o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era chamado de engavetador-geral, a começar pelo megaescândalo de compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, grão-tucano conhecido também como Príncipe Neoliberal I ou Príncipe da Privataria, conforme livro elucidativo e de grande sucesso de vendas no Brasil.

O candidato do PSDB, Aécio Neves, está a ser ajudado pelas pesquisas, que são manipuladas, sendo que somente as pesquisas do Ibope e do Datafolha são publicadas na Rede Globo. Os outros institutos não tem vez. Seus números e índices não são mostrados na televisão dos Marinho e de seus sócios, porque somente há espaço para os dois institutos citados, que, com o acesso à maior televisão comercial do Brasil, passaram também a monopolizar as pesquisas, como o fazem todos os donos de oligopólios. Mais um cartel. Simplesmente.

O jornalista Marcelo Migliaccio, editor do Blog Rio Acima, que foi diretor do Jornal do Brasil e trabalhou na Folha, no Globo, no Estadão e no Correio Braziliense, afirmou, com correção e de forma pontual, que a "mesma tática {manipulação} do primeiro turno está sendo usada nas primeiras pesquisas divulgadas para o segundo turno, porque os institutos dão "empate técnico", mas com Aécio dois pontos à frente de Dilma. Pegam Dilma pelo mínimo da margem de erro e Aécio, pelo máximo".

O jornalista complementou: "O objetivo é criar uma falsa sensação de que Aécio está na frente. Uma onda fictícia que possa contagiar os incautos, os alienados, os egoístas e os mal intencionados. Só um completo idiota acredita que a diferença de 8,4 milhões de votos foi tirada em dois dias. No dia 23 de setembro, a projeção de segundo turno entre Dilma e Aécio, segundo o Ibope, dava a presidente com dez pontos de vantagem. Como agora, menos de duas semanas depois, ela está dois pontos atrás? Será que a cabeça das pessoas muda mesmo com tanta rapidez? Ou é mais um conto do vigário pra influenciar você?" — finaliza Migliaccio.

Como se observa, a manipulação midiática praticamente se institucionalizou. O PT sempre teve sérios problemas de comunicação para chegar à população, que somente tem acesso à informação sobre o que está a ser realizado nos últimos 12 anos de quatro em quatro anos, quando o PT e o Governo Trabalhista conseguem mostrar os avanços e as conquistas do povo brasileiro, por intermédio da propaganda eleitoral. Mesmo assim, grupos mercantilistas como as Organizações(?) Globo fazem campanha contra o horário eleitoral e também contra a Voz do Brasil.

Dilma Rousseff tem enormes chances de vencer mais uma eleição presidencial e ser reeleita. Mas nunca, de forma alguma, eu vi o sistema midiático, eterno propagador do "mar de lama" desde os tempos de Getúlio Vargas perder totalmente a compostura e assumir de vez o lugar da oposição partidária de direita, em uma campanha sórdida e sem preocupação com a realidade dos fatos e com a credibilidade da informação.

A verdade é que o PSDB e seus congêneres estão tutelados e, como pintos, protegem-se nas asas da grande imprensa de negócios privados e aliada dos interesses dos governos dos países ricos. Dilma vence, mas tomara que a lição tenha sido aprendida pelo PT. Marco regulatório para os meios de comunicação já! Aécio Neves e o PSDB representam o retrocesso econômico e o atraso social. Ele é tucano e como tal vai proceder. É isso aí.

Reposta aos coxinhas a partir de grande pesquisa resumida em video sobre a farsa midiático-elitista do Mensalão



Segue, abaixo, um video, apresentado pelo escritor e jornalista Fernando Morais, produzido pela Retrato do Brasil, sobre a farsa midiática do Mensalão.

domingo, 12 de outubro de 2014

As eleições e as contradições da mentalidade de São Paulo: Cantareira, Vidas e Democracia Secas



Por Reinaldo Melo

Do blog Inquietas Leituras


São Paulo secou-se. O que antes era um estado com viés progressista, onde a ideia de uma multiculturalidade era a amarra com o mundo contemporâneo, tornou-se um lugar em que o totalitarismo quase que monocrático nega a própria visão que o paulista tem de si.

A Semana da Arte Moderna, ocorrida em 1922, foi um grande passo dado rumo à modernização artística, econômica e  cultural do Brasil. Abriram-se as janelas para que se desenvolvesse uma visão de país fora da óticas das oligarquias rurais e da intelectualidade aristocrática, que produzia um pensamento que não coadunava com a nova sociedade que surgia.



A Semana de 22 foi movimento chave para SP se colocar como condutor do Brasil


Dentro do movimento, porém, havia um racha: de um lado, os escritores, como Oswald de Andrade, que defendiam uma Literatura que retratasse o Brasil literalmente, "como falamos, como somos"; do outro, artistas que defendiam uma postura nacionalista e xenofóbica cuja arte deveria retratar as glórias da pátria.

Muitos acadêmicos criticam a superestimação da Semana de 22, afirmando que o culto que se faz dela está muito mais ligado à visão de São Paulo como protagonista do desenvolvimento nacional, o bairrismo peculiar que o  estado tem, do que à suposta importância para o desenvolvimento das artes, visto que indícios de modernidade já eram encontrados em obras anteriores. Não é à toa que a parte patriótica e xenofóbica do movimento de 22 participará do Integralismo, que possui como um dos princípios a abolição de "Estados dentro do Estado" e de "partidos políticos fracionando a Nação".

O romance de 30 foi um foco de resistência a esse bairrismo. Escritores dos estados fora do eixo São Paulo/Rio de Janeiro construíram obras sobre um país que parte dos escritores da semana queriam esconder: o Brasil da miséria, da fome, da seca. Graciliano Ramos, injustamente rotulado de regionalista, compôs em Vidas Secas um mosaico pleno das agruras do sertão e de seus habitantes.

Mais de setenta anos depois e o estado de São Paulo, afora de não ter aprendido a lição de que há vários Brasis além da parte que ele ocupa, vive uma situação idêntica a dos personagens do escritor alagoano, condicionados pela ignorância e pela seca.

Nesta ano foi noticiada a queda do já então pífio ensino médio paulista. 40% dos alunos saem da escola com aprendizado insuficiente em Língua Portuguesa. Quase 60% não possuem conhecimento adequado em Matemática. Esses índices demonstram que São Paulo vem construindo uma população impossibilitada de ler gráficos, fazer cálculos ou interpretar índices e estatísticas e, ao mesmo tempo, incapaz de ler e entender textos. Uma fórmula magnífica para manter uma população mal informada, alienada de qualquer processo social, acrítica, uma massa de Fabianos a repetirem o mantra: "Governo é Governo".

Concomitantemente, o estado se deparou com uma crise hídrica. A iminente falta de água, que o governo diz ser consequência pela falta de chuvas, mas, na verdade, é em decorrência da privatização da SABESP e de falta de investimentos de manutenção e de captação de água, foi assunto totalmente explorado nas eleições. Há uma crise de proporções humanitárias vindo, mas maioria do povo paulista sequer quis se aprofundar no assunto e como "Governo é Governo", então o governador estava certo em suas premissas e mereceu a reeleição.


A Privatização da água em SP é uma das causas de sua crise hídrica


O estado que sempre se colocou como a locomotiva do país, o mais desenvolvido, industrializado e racional, sempre se comparando com o Norte/Nordeste, pontuando estas regiões como o retrato do atraso, sofre hoje das mesmas mazelas que um dia se orgulhou de não as ter: índice pífio de educação, falta de água e adoração por oligarquias solidificadas no poder.

Estima-se que a população de nordestinos de São Paulo gire em torno de 20%. Por conta da migração nordestina ocorrida a partir da industrialização na década de 50, pode-se afirmar que o povo nordestino contribuiu e muito para com o crescimento econômico do estado mais rico do país. Mas não apenas economicamente, já que as relações de povos não se fazem de forma monotemática. Houve também a contribuição cultural: artística, culinária, musical, etc. O Nordeste está em São Paulo e São Paulo está no Nordeste. Não é à toa que a capital do estado é chamada de maior cidade nordestina do Brasil.

HItler dizia que "Temos de matar o judeu dentro de nós". Há nessa fala dois pontos curiosos: o de que o judeu tem um espectro a invadir a identidade alemã e lhe dominar e de que o nazista se sentia parte ou originado do mundo judaico.

A ignorância é a base para o nazifascismo se instalar. E em decorrência à baixa formação educacional da população do Estado de São Paulo, atrelada à ideologia fascista do integralismo, assistimos na última semana a uma mostra de afirmações antidemocráticas (e por que não nazifascistas?) advindas de parte povo paulista.





Afirmações nazifascistas de paulistas na Net


Propostas como construir um muro separando Norte/Nordeste do resto do Brasil (não é mera coincidência com os muros que separavam os guetos judeus da população alemã), causar um holocausto ou jogar uma bomba atômica foram algumas das diversas pérolas de ódio destinadas a uma população que votou em maioria no partido oposto ao do governo do Estado de São Paulo.



Proposta idêntica ao guetos para judeus na Alemanha Nazista


Celso Furtado sempre denunciou as diferenças entre o Sudeste e o Nordeste, afirmando que a industrialização daquela região criaria o atraso desta, e criou, no governo Juscelino Kubitschek a Sudene, órgão que ajudou na modernização nordestina. Mas tal politica foi abortada no regime militar, mantendo-se o Nordeste nos índices de subdesenvolvimento.

Ao contrário de São Paulo, que agora possui mazelas de regiões subdesenvolvidas, parte do Nordeste vem acumulando benefícios por conta de uma política desenvolvimentista.  Entre 2002 e 2010, o PIB do Nordeste passou de R$ 190 bilhões para R$ 500 bilhões. O número de universitários praticamente dobrou nos últimos dez anos, da base de 4 milhões para 7,5 milhões. Em 2000, eram 4,3 milhões de trabalhadores nordestinos com carteira assinada. Hoje, ultrapassa a ordem de 13 milhões. Fora o fato da ONU estabelecer que o Brasil saiu da lista dos países com problemas com a fome, por conta da assistência que se dá aos habitantes miseráveis da região.



Celso Furtado:o grande idealizador do desenvolvimento no Nordeste

Como então julgar como burro e analfabeto um povo que predominantemente vota a favor de uma política que vem favorecendo a sua região? Não seria burrice e analfabetismo funcional e político votar a favor de um governo que vem patrocinando agruras como: o desmonte da educação básica, fundamental, média e superior do estado; a falta de investimento em captação de água, o que pode causar danos à saúde, ao comércio e à produção industrial; a matança de centenas de pessoas na baixada santista desde 2006, onde grupos de extermínio ligados a forças repressoras do estado declararam guerra às populações das periferias desta região?

Essa onda de ódio talvez seja um hitlerismo às avessas, enquanto que o austríaco defenderia matar o nordestino que está dentro dos paulistas, o povo de São Paulo quer matar o mito paulista que hoje o próprio paulista vê nos nordestinos, já que estes colhem números proporcionais aos da época do desenvolvimento paulista. Só essa inversão psicológica é base para explicar tamanho recalque.

E como cereja no bolo de tanto ódio e preconceito, até um ex-presidente da república faz coro com a turba nazifascista ao afirmar que o voto no governo atual é por falta de informação dos habitantes dos grotões do país. É de salientar o fato repugnante de um ex-presidente da república desconhecer  o próprio país que chegou a governar, chamando todo uma região de grotão e desmerecendo o processo democrático que um dia o fez chegar na cadeira de chefe de estado. Mas tal opinião é compreensível, já que o mesmo ex-presidente tem seu reduto, justamente, em São Paulo.


Fernando Henrique Cardoso: Ex-presidente e acadêmico que desconhece o país


A História mostra que os grandes impérios caíram por não se darem conta da realidade em que viviam. Roma mesmo adotou para si a imagem que não tinha diante dos próprios povos  que dominava, subestimando estes, que um dia viriam eles mesmos a derrubá-la. O Terceiro Reich, de Hitler, idem. Superestimou sua capacidade bélica. Não é de surpreender que quando Hitler se viu derrotado, uma das primeiras medidas foi destruir o suprimento de água do povo alemão, já que este não era superior a ponto de vencer uma guerra.

Talvez parte do povo paulista sinta hoje um narcisismo ás avessas. Não podendo ou não querendo ver a si mesmo, sentindo conscientemente ou inconscientemente que seu apogeu como protagonismo de desenvolvimento sucumbiu a uma nova lógica em que o capital não possui mais pátria ou regiões definidas, sente-se mais confortável a apontar para o suposto atraso dos outros quando na verdade é o seu próprio atraso que deveria estar em debate. Mas o que esperar de um povo que, em maioria, nunca quis ver o que há lá fora, para além das janelas do integralismo, não se preocupa com sua educação, não se preocupa com sua harmonia social, não se preocupa nem ao menos com um elemento vital para a vida: a água?

Não é à toa que em São Paulo se vive uma seca de democracia.

http://inquietasleituras.blogspot.com.br/2014/10/democracias-secas.html

A mídia transformando novamente um Plalyboy em falso "herói"

Após o 'caçador de marajás' o 'caçador de corruptos'?




Texto de Juarez Guimarães, extraído da Carta Maior:

Para aqueles que estudam o fenômeno da corrupção por mais de doze anos, de modo interdisciplinar, dialogal e pluralista na universidade brasileira, a campanha de Aécio Neves surge como um insulto à inteligência e à consciência republicana dos brasileiros.

Então, o PSDB, o partido campeão na apresentação de candidatos vetados por terem ficha-suja nas eleições municipais de 2012 (57 candidatos), segundo o jornal Folha de S. Paulo de 8 de setembro deste ano, pretende limpar a política brasileira da corrupção? Sem dúvida, houve um progresso nos últimos anos: já segundo levantamento do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral, que sustentou a aprovação da Lei da Ficha-Limpa, de 2000 a 2006, o PSDB já ocupava o honroso terceiro lugar entre os partidos com mais políticos atingidos (17,1 % contra 2,9 % do PT). Agora, está em primeiro. Mas, assim, a limpeza, não deveria começar pela própria casa?

Reconhecemos que esta será uma tarefa difícil: cortar na própria carne?

Comecemos pelo reconhecimento do procedimento escandaloso - pelos padrões mínimos de respeito à coisa pública – de financiar a construção com milhões do governo de Minas de um aeroporto em uma fazenda do tio, na cidade de Cláudio, que permaneceu ilegal e com as chaves apropriadas pelo próprio tio até ser denunciado pela imprensa três anos depois.

Terá sido republicano herdar 25 % de seu patrimônio declarado da fazenda Montezuma conquistada pelo seu falecido pai em uma ação contra o estado de Minas que era governada pelo próprio filho! Estes 950 hectares de terra, em áreas de nova fronteira de mineração, em uma região de muita grilagem, contra o princípio constitucional que proíbe usucapião em terras públicas? Este Aécio Cunha, quase nunca citado pelo filho que prefere herdar o nome público do avô, Tancredo Neves, que foi golpista em 1964, quatro vezes deputado federal pela Arena, depois, PDS, depois, PFL, depois DEM e que até o fim usufruiu de um cargo de conselheiro na Cemig apesar do filho ser governador?


Quem sabe Aécio Neves poderá pedir os conselhos do ex-governador de Minas pelo PSDB, Eduardo Azeredo, de quem disse “que todos em Minas o conhecem e reconhecem como homem de bem”, e quem, diante da denúncia do procurador-geral da República que propôs 22 anos de cadeia e 2,2 milhões de reais de multa pelo escândalo do chamado “mensalão tucano”, resolveu renunciar ao mandato de deputado federal para não ser julgado pelo STF?

Pensando bem, é melhor de senador para senador: quem sabe pedir os conselhos deste ex-senador Clésio Andrade, também renunciado para fugir ao julgamento do STF, que foi vice-governador de Aécio e, ao mesmo tempo sócio do famoso Marcos Valério?

Talvez seja melhor se aconselhar com uma referência técnica ilibada no combate à corrupção: a advogada Adriene Andrade, por coincidência esposa do ex-senador Clésio Andrade, que foi por Aécio indicada, com os protestos devidos do Ministério Público já que não tinha sequer dez anos de experiência profissional, para o cargo de conselheira de Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, chegando inclusive a presidi-lo. Mas não foi demais, senador Aécio, conferir a ela o parecer sobre a aprovação das contas do primeiro mandato de seu governo quando o marido dela era o vice-governador?

Pensando bem, é melhor procurar um outro senador de sua confiança, eleito com o seu apoio: Zezé Perrela, este cujo enriquecimento ilícito durante o seu mandato de presidente do Cruzeiro já foi fartamente denunciado pela imprensa mineira. Mas isto não ficaria bem: depois que o helicóptero de seu filho, deputado estadual, foi preso com 500 quilos de cocaína! Mas, se até os pilotos do helicóptero já se encontram em liberdade, quem sabe,ele não seria um inocente útil?

Deixemos os senadores de lado: quem sabe um tradicional deputado federal do PSDB de Minas, o secretário-geral do PSDB mineiro, e que já foi seu assessor especial: Carlos Mosconi. Mas isto, de novo, não soaria bem: Carlos Mosconi foi já denunciado com provas pela revista Carta Capital de ser vinculado à “máfia dos transplantes” de órgãos, a central clandestina MG Sul Transplantes, cuja última denúncia levou a prisão de vários médicos ligados ao deputado.

Sobrou o ex procurador-geral do estado de Minas, dr. Alceu José Torres, conhecido pelos deputados estaduais que fazem oposição ao PSDB em Minas por “AH! É seu!” ou como “indeferidor geral da república em Minas”, pois vetou protocolarmente todos os pedidos de investigação em torno a numerosos escândalos do governo. Mas, é certo, não fica bem a quem critica o “aparelhamento do Estado”: o dr. Alceu virou secretário do... Meio-Ambiente do governador Anastasia, após o anterior, Adriano chaves, ter sido afastado por denúncia de corrupção.

Mas o senador Aécio Neves poderá contar sempre com o trabalho da zelosa e vigilante Assembléia Legislativa de Minas Gerais: nestes doze anos de governos tucanos, foram sepultadas na origem as propostas de CPI sobre a Rádio Arco-Íris (de propriedade de Aécio e de sua irmã, que recebiam verbas do estado), sobre o desvio de verbas constitucionalmente previstas para a saúde, sobre o desvio de verbas constitucionalmente previstas para a educação, sobre o chamado Aecioporto de Cláudio, sobre o desvio de recursos do IPSEMG- FUNPEG, sobre a construção do Mineirão, sobre desvio de recursos na construção da Cidade Administrativa. Houve agora um cochilo: derrotado nestas eleições, foram recolhidas as assinaturas devidas para a CPI da reforma do Mineirão: mas a vigilante mesa da Assembléia Legislativa já segura a chamada de sua constituição!

É preciso reconhecer que Aécio Neves tem experiência no ramo de barrar CPIs: como presidente da Câmara em 2001, durante o governo FHC, conseguiu retirar assinaturas de uma CPI a ser aberta pela oposição para investigar os numerosos e ruidosos escândalos da Era FHC. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, foram gastos 27 milhões de reais para irrigar os congressistas insatisfeitos e evitar a CPI.

Restam os sempre independentes empresários que controlam a imprensa, as rádios e as televisões em Minas para salvar a cruzada ética do senador Aécio. Mas fica difícil: o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais tem a conta de quantos jornalistas foram demitidos, perseguidos e até presos!

Mas, enfim, não desistamos: Aécio agora é um líder nacional! Ele pode convocar o governador de Goiás, Marconi Perillo, para compor uma frente nacional contra a corrupção. Mas não ficou provado que malas de dinheiros chegavam ao palácio do governo de Goiás e que sua chefe-de-gabinete, Eliane Gonçalves, era contato do chefe de quadrilha, Carlos Cachoeira, para indicação de cargos no governo goiano? E o primo do governador, Marcelo Perillo, não foi acusado pelo Ministério Público de superfaturar a venda de remédios para o governo? Quem sabe chamar o ex-senador goiano, grande aliado do PSDB e ex-procurador geral do Estado, Demóstenes Torres, desassombrado caçador de corruptos: mas antes de ser cassado pelo Senado, Demóstenes foi ameaçado de ser expulso até pelo DEM por “reiterados desvios éticos”! isto de ser assim qualificado pelo DEM é realmente uma glória!

Mudemos de eixo: quem sabe pedir conselhos a ex-governadora do Rio Grande do Sul, pelo PSDB, Yeda Crusius, já que ela está à disposição não tendo sido eleita deputada federal nestas eleições? Aí também não vai ficar bem: os escândalos de seu governo, com a máfia de desvios de recursos do Detran e uso de sobras de campanha para adquirir patrimônio pessoal, macularam definitivamente a biografia da governadora, com a queda de quatro secretários. E o próprio presidente do Tribunal de contas do estado, por ela indicado, foi denunciado por faturar dezenas de milhões no esquema de fraudes!


Quem sabe, então, o governador de São Paulo, Alckmin, renovado em sua popularidade e legitimidade, reeleito no primeiro turno. Mas, pensando bem, Alckmin não vai se sentir confortável nesta função: está em tramitação o processo contra o desvio bilionário de recursos dos trens e metrôs de São Paulo, envolvendo os governos Covas, Serra e o próprio Alckmin. Não adiantou impedir os pedidos de cinco CPIs na Assembléia Legislativa: a denúncia surgiu na imprensa internacional a partir da delação premiada das empresas Alston e Siemens. E nem é bom pensar no TCE paulista: lá também o conselheiro Robson Marinho, tucano feito milionário com contas abertas na Suíça, resistiu mas teve que deixar o cargo.

Mas que bom, senador Aécio, ainda temos uma tábua de salvação: a figura exemplar de FHC, cidadão acima de qualquer suspeita, no combate à corrupção!

O cínico e o cívico

Mas não começou bem Fernando Henrique Cardoso: apenas dezoito dias após a sua posse extinguiu pelo decreto-lei 1376 a Comissão Para a Investigação a Corrupção, composta inclusive por entidades da sociedade civil, criada pelo ex-presidente Itamar Franco. Aventemos a hipótese: é que FHC pensava desde já que o firme combate à corrupção deveria ser institucional e liderado por seu valoroso Ministro da Justiça!

Mas qual? FHC teve dez em oito anos de governo: Nelson Jobim ( 1995-1997), Milton Seligman (1997-1997), Iris Resende ( 1997-1998), José de Jesus Filho ( 1998-1998), Renan Calheiros (1998-1999), José Carlos Dias ( 199-2000), José Gregori ( 2000-2001), Aloysio Nunes ( 2001-2002), Miguel Reali Júnior ( 2002-2002) e Paulo de Tarso Ribeiro ( 2002-2003). É que, talvez, para melhor combater a corrupção era melhor enfraquecer o Ministério da Justiça e centralizar a ação na corrupção na Polícia Federal.

Mas segundo o presidente da Associação Nacional de Peritos Criminais, Roosevelt Júnior, a situação deixada por FHC para o ano de 2003 – segundo orçamento aprovado em seu último ano – era calamitosa: duas regionais da Polícia Federal já tinham sido notificadas por aluguéis em atraso e estavam sob risco de despejo e nos últimos 15 dias faltavam cartuchos coloridos para imprimir resultados de laudos técnicos. “O resultado”, disse ele ao jornal Folha de S. Paulo à época, “é que a polícia deixa de produzir e a impunidade aumenta.” De fato, durante os oito anos de FHC, a Polícia Federal só fez 48 operações especiais (uma média de seis ao ano) contra 2.226 ( cinqüenta vezes mais!) realizadas desde o início do governo Lula.

Uma outra hipótese é que FHC resolveu dar todo o poder ao Procurador-geral da república, para com independência e espírito republicano, investigar tudo ... doa a quem doer. Mas o procurador Geraldo Brindeiro, que foi o escolhido por FHC contra outros nomes prioritários sugeridos por seus colegas, exatamente ao contrário do que fizeram Lula e depois Dilma, dos 626 inquéritos que recebeu, engavetou 242 e arquivou outros 217, inclusive a denúncia da documentada compra de votos no Congresso Nacional por FHC para aprovar a emenda constitucional de sua reeleição. Por isto, ficou conhecido como o “engavetador-geral da República”. Recentemente, a operação Monte Carlo, da Polícia federal, que desmantelou a quadrilha de Carlos Cachoeira, descobriu que Brindeiro prestava assistência jurídica à quadrilha, tendo recebido R$161,2 mil reais de Geovani Pereira Filho, procurador das empresas fantasmas.

Seria enfadonho rememorar aqui todos os escândalos da Era FHC mas o que era comum a eles é que nenhum resultou de uma ação de investigação do próprio governo, que não estabilizou Ministro da Justiça, que tinha a Polícia Federal sucateada e um Procurador-Geral “engavetador”.

Quando Lula assumiu, não havia propriamente nenhuma estrutura sistêmica de combate à corrupção no governo federal. A Controladoria Geral da União ( com seus 2500 profissionais aprovados em concurso público) foi criada em 2003 assim como a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro ( Enccla, que reúne hoje 60 órgãos de combate à corrupção). Foram criadas corregedorias em cada ministério ( antes não existiam) e o decreto-lei 7507 instituiu pela primeira vez a auditoria sistemática dos repasses de verbas federais aos municípios. Foram também criados o Cadastro de Clientes do Sistema Nacional de Bens Apreendidos (SNBA), o rol de culpados da Justiça Federal, o Programa nacional de capacitação ao combate á lavagem de dinheiro, a Redelab ( tecnologias e programas voltadas neste sentido), o Cadastro de clientes do sistema financeiro (SIMBA), que antes não existiam. Foi criado o Observatório de Despesas Públicas ( uma espécie de malha fina das despesas do governo) e o Portal de Transparência, que ganhou prêmio da ONU, além de aprovadoa a lei de Acesso à informação, considerada por todos um marco na questão da transparência.

Foi nos governos Lula e Dilma que foram aprovados o cadastro de empresas inidôneas e suspensas de participar de concorrências públicas por corrupção e o mesmo para ONGs, além de uma inovadora e muito mais rigorosa lei de punição das empresas corruptoras. Desde 2003, o Brasil passou a ser um protagonista e liderança mundial na luta contra a corrupção reconhecida pela ONU, sediando conferências internacionais, integrando órgãos da OCDE e do G-20, o que não acontecia antes.

Por que, então, mais claramente desde 2005, Fernando Henrique Cardoso assumiu publicamente a condição, com a cobertura das grandes empresas de mídia, contra todos os fatos, de líder na luta contra a corrupção do Brasil? Na verdade, estamos vivendo agora um simulacro – uma inversão da realidade – que faz Collor parecer um falsário amador.

Quem é este cínico que se faz passar impunemente por cívico? Deixemos que ele mesmo fale de si: “Por que o mensalão ficou conhecido. Por que o Roberto Jefferson teatralizou o mensalão”, disse o ex-presidente ao site UOL em entrevista recente. Cinco anos atrás, FHC e Geraldo Alckmin prestaram depoimento ao juiz, chamados pelo advogado de Jefferson, assegurando que ele tinha votado a favor da reforma da Previdência sem receber dinheiro mas por ter posição antiga sobre o assunto. Assim, o criador do termo “mensalão” e cujo depoimento serviu de base a todo o processo nada recebeu mas sim os deputados do PT para aprovar um próprio projeto do governo do PT! Um consórcio entre um criminoso e a cúpula do FHC vai salvar a república?

E agora, de novo: Youssef e Paulo Roberto Costa? Mas Youssef, como bem documenta o jornalista Amaury ribeiro Júnior que escreveu o livro “A privataria tucana”, já não operou para o ex-caixa de campanha de José Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, e antes disso não foi o principal operador do escândalo Banestado, com uma conta sugestivamente chamada “tucana”, pela qual fluíram para o exterior nada menos que 30 bilhões de dólares? E Paulo Roberto Costa já não exercia cargos de direção na Petrobrás desde 1995, já no primeiro governo FHC, tendo sido demitido por Dilma do cargo de diretor em 2012?

Mas se FHC não pode posar de campeão da ética, que tal então, Gilmar Mendes, o tucano mais assanhado do STF? Recentemente se confirmou, com a admissão do próprio FHC, que ele atendeu pedido do ex-governador de Brasília, Arruda (DEM), intercedendo junto a Gilmar Mendes para tentar sustar o seu impedimento de ser de novo candidato por ter ficha-suja? Como o pedido acabou por ser negado, Gilmar Mendes acusou a decisão que prevaleceu no STF de...”nazista!” Ora, não foi o mesmo Gilmar Mendes quem pediu vistas na votação sobre a proibição de financiamento das empresas a candidatos, considerada essencial para por fim ao caixa dois e à corrupção sistêmica no Brasil pelos especialistas universitários e pelo próprio diretor da Polícia Federal em entrevista ao jornal O Globo em outubro do ano passado?

Enfim, na nossa jornada ética para salvar o Brasil da corrupção não sobrou ninguém para ajudar o senador Aécio. No dia da votação do primeiro turno em São João del Rei, Aécio pediu que todos fossem às urnas vestidos de verde-amarela. Há, então, uma solução: vestir o verde-amarelo, estufar o peito, cantar o hino nacional e gritar: “fora o PT corrupto!”